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Pintura - Escolhas de Mário Silva

Pintura - Escolhas de Mário Silva

24
Nov25

"A Guerra (1942)” - Maria Helena Vieira da Silva (1908–1992)


Mário Silva

"A Guerra (1942)”

Vieira da Silva (1908–1992)

24Nov A guerra 1942 - Vieira da Silva

A pintura “A Guerra (1942)”, é uma obra fundamental que se insere no contexto do Abstracionismo Lírico e foi criada durante a Segunda Guerra Mundial, em que a artista se encontrava exilada no Brasil.

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A obra apresenta uma composição complexa e fragmentada, onde a representação de um espaço tridimensional foi destruída e reconstituída através de uma estrutura labiríntica e geométrica.

A tela é dominada por uma rede densa de linhas diagonais e verticais que se cruzam e se intercetam, formando múltiplos planos e perspetivas.

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No centro e na parte inferior da pintura, surgem formas que, embora abstratas, sugerem corpos humanos, cavalos e figuras em movimento caótico, como se estivessem a lutar ou a cair.

O esquema de cores é predominantemente sóbrio e terroso — cinzentos, ocres, castanhos e beges — mas é pontuado por pequenos e intensos toques de cores primárias e secundárias (vermelho, azul, amarelo), que injetam drama e urgência na cena.

A luz é difusa e parece vir de uma fonte distante, acentuando a sensação de colapso estrutural e desorientação.

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"A Guerra" é uma das obras mais intensas e simbólicas de Vieira da Silva, representando não um campo de batalha literal, mas sim a experiência psicológica e a desorientação causada pelo conflito global.

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O Espaço Labiríntico e a Desorientação: A utilização da perspetiva multiplicada e fragmentada é a marca distintiva de Vieira da Silva e é aqui usada como uma metáfora direta para o caos e a destruição da guerra.

O espaço parece colapsar sobre si mesmo, sem um ponto de fuga claro, transmitindo a sensação de aprisionamento e de perda de referências que caraterizava a vida sob a ameaça da guerra.

O labirinto é o estado da mente no exílio e na incerteza.

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Abstracionismo Lírico e Expressão Emocional: Embora a obra seja abstrata, ela não é desprovida de humanidade.

As linhas e as formas funcionam como estruturas narrativas, sugerindo a presença de figuras e o movimento da violência.

A artista utiliza a geometria e o ritmo das linhas para expressar a sua angústia e o trauma da guerra, o que alinha a obra com o Abstracionismo Lírico e as preocupações existenciais da época.

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Cor e Atmosfera de Destruição: A paleta de cores, dominada por tons de poeira e escombros, evoca a destruição material das cidades.

Os relâmpagos de cor primária (os toques de vermelho, por exemplo) funcionam como explosões ou feridas, intensificando a carga dramática da composição.

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Em conclusão, “A Guerra (1942)” é uma obra-prima de Maria Helena Vieira da Silva e um dos mais eloquentes testemunhos artísticos da Segunda Guerra Mundial.

A pintora transforma o tema da destruição numa visão arquitetónica e psicológica, onde o colapso do espaço reflete o colapso da ordem mundial.

A pintura é um exercício de grande mestria na forma como utiliza a abstração para comunicar uma profunda e inesquecível experiência humana.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Vieira da Silva

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04
Ago23

A partida de xadrez - Vieira da Silva


Mário Silva

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A partida de xadrez

Maria Helena Vieira da Silva

04 A partida de xadrez_Maria Helena Vieira da Silva

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Vieira da Silva nasceu em Lisboa e foi lá que começou os seus estudos, na Academia de Belas Artes. No entanto, antes, e por influência do seu pai, que era diplomata, viajou um pouco por todo o mundo, entrando em contacto com diferentes grupos artísticos de cariz vanguardista, desde os futuristas até à companhia Ballets Russes.

No entanto, como mestres, teve a sua conterrânea Emília dos Santos Braga, também ela uma pintora de renome nacional à data, e Armando de Lucena, mas também o professor de Henri Matisse, o francês Antoine Bourdelle, que lhe ensinou a esculpir, entre outras referências em Paris, para onde foi em 1928, com 21 anos, para estudar escultura, embora mudasse de rumo um ano depois, quando se decidiu focar na pintura.

Preparou, desde logo, as suas obras para expor e conheceu o seu futuro marido, o húngaro Árpád Szenes, com quem se casou em 1930 (contrairiam matrimónio religioso em 1936, fruto dos ataques antissemitas que começavam a grassar na Europa, já que Szenes era judeu).

Tornar-se-iam ambos apátridas e assistiriam a Vieira da Silva a expor no Salon d’Automne e no Salon des Surindénpendants.

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