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Pintura - Escolhas de Mário Silva

Pintura - Escolhas de Mário Silva

13
Ago25

"Castelo de Monforte de Rio Livre" - Alfredo Cabeleira


Mário Silva

"Castelo de Monforte de Rio Livre"

Alfredo Cabeleira

13Ago Castelo de Monforte de Rio Livre_Alfredo Cabeleira 10

A pintura de Alfredo Cabeleira retrata o Castelo de Monforte de Rio Livre, localizado em Águas Frias, Chaves, Portugal, numa paisagem que evoca uma atmosfera intemporal.

A obra é dominada por uma paleta de cores monocromáticas, principalmente tons de sépia, cinza e castanho, o que confere à cena um ar antigo e melancólico.

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No centro da composição, ergue-se o castelo, com a sua torre principal de arquitetura robusta e telhado de telha, flanqueada por muralhas de pedra.

A construção parece maciça e resistente.

O castelo está situado no topo de uma elevação, cercado por vegetação arbustiva e árvores, cujas folhas e ramos são representados com detalhe, mas em tons desbotados que se harmonizam com o ambiente geral.

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Ao fundo, uma série de colinas ou montanhas ondulantes estendem-se até o horizonte, perdendo-se na bruma.

O céu é nublado e dramático, com nuvens pesadas que contribuem para a atmosfera sombria e grandiosa da paisagem.

A iluminação é difusa, mas realça a textura das pedras do castelo e a densidade da vegetação.

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A obra "Castelo de Monforte de Rio Livre" de Alfredo Cabeleira é um excelente exemplo da sua capacidade de evocar uma atmosfera e transmitir a imponência de um monumento histórico através de uma abordagem artística particular.

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O uso quase monocromático da paleta é a caraterística mais marcante da pintura.

Ao limitar as cores a tons de sépia, castanho e cinza, Cabeleira cria uma atmosfera de antiguidade, melancolia e grandiosidade.

Esta escolha cromática remete a fotografias antigas ou gravuras, conferindo à obra um ar intemporal e quase onírico.

A ausência de cores vibrantes foca a atenção na forma, na textura e na composição.

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A composição é robusta e bem equilibrada.

O castelo, como elemento central, é posicionado para dominar a cena, transmitindo a sua solidez e importância histórica.

A vegetação em primeiro plano atua como uma moldura natural, guiando o olhar do observador para o castelo.

As colinas ao fundo e o céu carregado adicionam camadas de profundidade, criando um vasto espaço, apesar da paleta restrita.

A perspetiva e a forma como o castelo se assenta na paisagem são convincentes.

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Apesar da paleta limitada, o artista demonstra uma grande mestria na representação das texturas.

As pedras do castelo são retratadas com detalhes que sugerem a sua aspereza e idade.

A vegetação é elaborada com pinceladas que indicam a ramificação e a folhagem densa, embora estilizada pelos tons cinzentos.

Esta atenção aos detalhes texturais é crucial para a expressividade da obra, permitindo que a luz e a sombra modelem as formas.

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A pintura não é apenas uma representação topográfica do castelo; é uma evocação do seu espírito.

O castelo, como testemunha da história, parece estar envolto num silêncio pensativo.

A atmosfera sombria pode sugerir a passagem do tempo, a resiliência das ruínas ou a beleza austera de um local carregado de memória.

A obra convida à contemplação sobre o passado, a natureza e a relação entre o homem e a paisagem.

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Mesmo com cores limitadas, Alfredo Cabeleira consegue criar um jogo subtil de luz e sombra que define os volumes e as formas.

A luz difusa do céu nublado ilumina o castelo de forma a realçar as suas facetas, criando contrastes suaves que dão tridimensionalidade à cena.

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Em suma, "Castelo de Monforte de Rio Livre" é uma pintura poderosa e evocativa.

Alfredo Cabeleira, através de uma escolha de paleta ousada e um domínio técnico apurado, transforma uma paisagem histórica numa imagem de grande profundidade emocional e beleza intemporal.

É uma obra que demonstra a capacidade do artista de comunicar mais do que a mera representação visual, convidando o observador a uma experiência sensorial e reflexiva.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Alfredo Cabeleira

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14
Jun25

"Meninas no Mar" - Luiz Nogueira


Mário Silva

"Meninas no Mar"

Luiz Nogueira

14Jun Meninas no mar - Luiz Nogueira

A pintura "Meninas no Mar" do artista flaviense Luiz Nogueira apresenta uma composição que combina elementos figurativos e oníricos, típicos de um estilo que parece transitar entre o surrealismo e o simbolismo.

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A tela retrata duas figuras femininas num cenário marítimo durante o que parece ser um pôr do sol ou nascer do sol, dado o tom quente e dourado que ilumina o horizonte.

A figura em pé, à esquerda, está parcialmente coberta por um tecido colorido e ornamentado que cobre apenas a parte inferior de seu corpo, deixando o torso nu.

A sua pose é introspetiva, com os braços cruzados sobre o peito, sugerindo uma sensação de vulnerabilidade ou contemplação.

A figura à direita, reclinada, veste um vestido rosa suave e repousa sobre uma superfície que parece ser um sofá ou “chaise longue” com detalhes dourados, como a cabeça de um leão esculpida.

O fundo mostra o mar com ondas suaves e colinas ou montanhas estilizadas, em tons de roxo e azul, que conferem um ar etéreo à paisagem.

A paleta de cores é vibrante, com contrastes entre os tons quentes do céu e os frios do mar e das figuras.

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Luiz Nogueira, enquanto artista flaviense, parece trazer em "Meninas no Mar" uma reflexão sobre a ligação entre o humano e a natureza, mediada por uma estética que evoca tanto a realidade quanto o imaginário.

A escolha de posicionar as figuras femininas num ambiente natural, mas com elementos artificiais (como o sofá), cria uma tensão interessante entre o orgânico e o construído, sugerindo um diálogo entre a essência humana e a civilização.

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A figura em pé, com a sua nudez parcial e pose introspetiva, pode simbolizar a vulnerabilidade humana diante da imensidão da natureza, enquanto a figura reclinada, mais adornada e relaxada, talvez represente um estado de contemplação ou aceitação.

O uso do sofá com detalhes dourados introduz um elemento de luxo ou artificialidade que contrasta com o cenário natural, o que pode ser interpretado como uma crítica à desconexão do homem moderno com o meio ambiente.

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A paleta de cores é um ponto forte da obra, com os tons quentes do céu contrastando com os azuis e roxos do mar e das montanhas, criando uma atmosfera onírica que reforça o caráter simbólico da pintura.

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Em conclusão, "Meninas no Mar" de Luiz Nogueira é uma obra que combina habilmente elementos simbólicos e estéticos, criando uma atmosfera etérea que reflete sobre a relação entre o humano e a natureza.

Embora a sua narrativa possa parecer um pouco difusa, a força visual da pintura e o uso expressivo das cores tornam-na uma peça intrigante e digna de apreciação no contexto da arte contemporânea portuguesa.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Luiz Nogueira

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12
Jun25

"Pecado Original" - Alcino Rodrigues


Mário Silva

"Pecado Original"

Alcino Rodrigues

12Jun Pecado Original_óleo s tela_Alcino Rodrigues

A pintura a óleo sobre tela "Pecado Original" do pintor flaviense Alcino Rodrigues apresenta uma composição surrealista e simbólica que remete ao tema bíblico do pecado do homem, reinterpretado de forma contemporânea e estilizada.

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A obra retrata uma figura feminina central, com longos cabelos loiros, usando um chapéu de aba larga.

O seu rosto é dividido verticalmente em duas metades contrastantes: a esquerda, com traços distorcidos e um olho grande e expressivo, sugere uma expressão de curiosidade ou culpa; a direita, mais serena e simétrica, transmite calma ou resignação.

Esta dualidade pode simbolizar o conflito interno entre inocência e transgressão.

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A figura segura uma árvore à direita, da qual pende uma maçã vermelha, um símbolo clássico do pecado original.

À esquerda, há duas cerejas vermelhas, que podem representar tentação ou dualidade.

O fundo é composto por formas abstratas e orgânicas, com tons de azul, verde e branco, evocando um cenário onírico que mistura elementos naturais (árvores, flores) com figuras geométricas e humanas estilizadas.

A figura feminina parece emergir da paisagem, com partes do seu corpo fundindo-se ao ambiente, como se fosse uma extensão da natureza.

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Alcino Rodrigues utiliza uma linguagem visual que combina elementos do surrealismo com simbolismo religioso, criando uma narrativa visual que vai além da história bíblica tradicional.

A divisão do rosto da figura feminina é um recurso poderoso para explorar a ambiguidade moral do tema: a mulher, frequentemente associada a Eva na iconografia cristã, é apresentada como um ser complexo, dividido entre o desejo e a culpa.

O uso de cores suaves, como os tons pastéis, contrasta com a intensidade simbólica dos elementos (maçã, cerejas), criando uma tensão visual que reflete o conflito temático.

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A integração da figura com o ambiente natural sugere uma ligação profunda entre o ser humano e a natureza, talvez apontando para a ideia de que o "pecado" é uma parte inerente da condição humana, tão natural quanto o cenário ao redor.

A escolha de formas abstratas e orgânicas no fundo reforça o tom onírico, convidando o observador a interpretar a obra de forma subjetiva.

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Em conclusão, "Pecado Original" de Alcino Rodrigues é uma obra que se destaca pela sua abordagem criativa e simbólica dum tema clássico.

A pintura convida à reflexão sobre a dualidade humana e a relação entre natureza e moralidade, utilizando uma estética surrealista que desafia interpretações lineares.

Apesar de alguns desafios na composição, a obra demonstra a habilidade do artista em criar uma narrativa visual rica e provocativa.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Alcino Rodrigues

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09
Mai25

"Alício no país das maravilhas" (1972) - Carlos de Amaral Carreiro


Mário Silva

"Alício no país das maravilhas" (1972)

Carlos de Amaral Carreiro

09Mai Alício no país das maravilhas, 1972 - Carlos de Amaral Carreiro

A pintura "Alício no país das maravilhas" (1972), do artista português Carlos de Amaral Carreiro, apresenta uma composição surrealista que evoca um universo onírico, remetendo ao clássico de Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas, mas com uma interpretação pessoal e simbólica.

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Na parte inferior da pintura, há uma figura humana adormecida, deitada numa cama com uma colcha vermelha vibrante e travesseiro branco.

A figura, que parece ser um homem, está num estado de repouso sereno, com a cabeça apoiada nas mãos, vestindo uma camisa listrada de azul e branco.

Acima dele, a cena transforma-se num cenário surreal: o fundo escuro, de um azul profundo, sugere a noite, com uma lua cheia visível à esquerda.

Nesse espaço onírico, há diversos elementos que desafiam a lógica quotidiana:

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Há várias peças de mobiliário, como cadeiras e sofás, dispostas de forma não convencional, algumas parecem estar suspensas ou empilhadas de maneira impossível, com cobertores coloridos drapeados sobre elas.

As cores dos móveis variam entre tons de castanho, vermelho, verde e rosa, criando um contraste vibrante com o fundo escuro.

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À direita, destaca-se um berço com um bebê, coberto por um tecido estampado de verde e rosa.

Acima do berço, há um pássaro cor-de-rosa voando, ligado ao berço por uma linha, como se fosse um brinquedo móvel.

Este elemento adiciona um toque de infância e inocência à composição.

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No canto superior esquerdo, um grande espelho redondo reflete parte da cena, enquanto ao fundo, silhuetas de árvores esguias reforçam a atmosfera noturna e misteriosa.

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A assinatura do artista, "Carreiro 1972", está visível no canto inferior esquerdo, indicando o ano de criação da obra.

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Carlos de Amaral Carreiro, conhecido pela sua abordagem surrealista, utiliza "Alício no país das maravilhas" para explorar o limiar entre o real e o imaginário, um tema recorrente no surrealismo.

A figura adormecida na parte inferior da tela sugere que o que vemos acima é uma projeção do seu inconsciente, um sonho onde as regras da física e da lógica não se aplicam.

A escolha do título, que substitui "Alice" por "Alício", pode indicar uma reinterpretação masculina da narrativa ou uma alusão a uma experiência pessoal do artista, talvez ligada à sua própria infância ou memória.

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A figura adormecida é o ponto de partida para a narrativa visual.

O sono, frequentemente associado ao inconsciente no surrealismo, permite ao artista explorar um mundo onde a realidade é distorcida.

A transição abrupta da figura na cama para os elementos flutuantes acima cria uma sensação de dualidade entre o mundo físico e o onírico.

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Os móveis empilhados e flutuantes desafiam a gravidade e a funcionalidade quotidiana, remetendo à ideia de um "país das maravilhas" onde o absurdo reina.

Esses objetos, que normalmente ancoram a vida doméstica, tornam-se estranhos e instáveis, simbolizando talvez uma rutura com a normalidade ou uma crítica à rigidez das convenções sociais.

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O berço com o bebé e o pássaro voando sugerem temas de infância, inocência e liberdade.

O pássaro, ligado ao berço por uma linha, pode simbolizar os sonhos ou aspirações que emergem da infância, mas que ainda estão presos a ela.

A escolha de cores vibrantes para o tecido do berço contrasta com o fundo sombrio, destacando a pureza e a vitalidade da infância no meio do caos do inconsciente.

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A lua cheia, um símbolo clássico de mistério e do inconsciente, reforça a atmosfera onírica.

O espelho, por sua vez, pode representar a autorreflexão ou a duplicidade entre o real e o imaginado, um elemento comum no surrealismo para questionar a perceção da realidade.

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Carreiro utiliza uma paleta de cores contrastantes, com tons escuros no fundo (azul e preto) e cores mais vivas nos objetos (vermelho, verde, rosa), criando uma sensação de profundidade e dinamismo.

A sua pincelada é fluida, com contornos suaves que dão à obra uma qualidade etérea, apropriada para um tema de sonhos.

A composição é equilibrada, mas intencionalmente desordenada, refletindo o caos organizado de um mundo onírico.

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A obra pode ser vista como uma reflexão sobre a memória, a infância e o poder transformador dos sonhos.

O título, que referencia Alice no País das Maravilhas, sugere um diálogo com a obra de Lewis Carroll, mas Carreiro vai além, inserindo elementos que parecem profundamente pessoais.

O uso de móveis domésticos e de um berço pode indicar uma nostalgia ou uma revisitação de experiências passadas, enquanto o surrealismo permite ao artista transformar essas memórias em algo universal e atemporal.

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No contexto da arte portuguesa dos anos 1970, a obra insere-se num momento de transição política e cultural, com o país ainda sob o regime do Estado Novo, mas com movimentos artísticos que buscavam liberdade de expressão.

O surrealismo, com a sua ênfase na liberdade criativa e na exploração do inconsciente, era uma forma de resistência simbólica às restrições impostas pelo regime.

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"Alício no país das maravilhas" é uma obra bem-sucedida na sua proposta de criar um universo onírico que convida à reflexão.

A habilidade de Carreiro em combinar elementos pessoais com símbolos universais resulta numa pintura que é ao mesmo tempo íntima e acessível.

No entanto, a obra pode ser criticada por sua falta de clareza narrativa: enquanto o surrealismo frequentemente abraça a ambiguidade, alguns observadores podem achar a relação entre os elementos da composição (como o berço e os móveis flutuantes) um tanto desconexa, dificultando uma interpretação mais coesa.

Ainda assim, essa ambiguidade é também uma força, pois permite múltiplas leituras e engaja o observador num diálogo ativo com a pintura.

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Em conclusão, Carlos de Amaral Carreiro, em "Alício no país das maravilhas", oferece uma visão única do surrealismo, utilizando o sono como porta de entrada para um mundo de maravilhas e contradições.

A pintura é uma celebração do inconsciente, da memória e da imaginação, encapsulada numa composição visualmente rica e simbolicamente densa.

É uma obra que recompensa a contemplação prolongada, revelando novas camadas de significado a cada olhar.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Carlos de Amaral Carreiro

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18
Jan25

"Bailado de Colibris" - Luiz Nogueira


Mário Silva

"Bailado de Colibris"

Luiz Nogueira

18Jan Bailado de Colibris - Luiz Nogueira

A pintura "Bailado de Colibris" do artista flaviense Luiz Nogueira é uma obra rica em cores e simbolismos, que explora o universo lúdico e fantástico por meio da combinação de figuras humanas, animais e elementos naturais.

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A composição apresenta um menino sentado na borda de um penhasco, tocando um instrumento de sopro (provavelmente um trompete).

Ele está vestido com roupas simples, com um colete azul que contrasta com o tom suave do céu ao fundo.

Em frente a ele, uma bailarina de vestido rosa vibrante executa um movimento gracioso sobre uma corda bamba, equilibrando-se com leveza.

A sua pose elegante, típica do ballet clássico, transmite fluidez e harmonia.

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O cenário é surreal, com colibris voando ao redor da bailarina, como se estivessem ligados a ela por linhas douradas, criando uma interação quase mágica entre os pássaros e a figura humana.

À direita da corda bamba, um pequeno macaco, segurando um objeto vermelho (possivelmente uma fruta ou um tambor), observa a cena, acrescentando um elemento de curiosidade.

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O fundo azul celeste é preenchido por nuvens, criando uma atmosfera etérea e onírica.

A corda bamba e os anéis coloridos no penhasco sugerem um ambiente de circo ou espetáculo, embora inserido em um espaço imaginativo.

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A obra é cuidadosamente estruturada para guiar o olhar do observador.

O trompete do menino parece dar o ponto de partida para a "melodia visual", que se desenrola na dança da bailarina e no voo dos colibris.

A corda bamba, por sua vez, liga todos os elementos numa linha de equilíbrio e tensão.

A interação entre os personagens (menino, bailarina, colibris e macaco) sugere uma narrativa implícita, onde cada um desempenha um papel num espetáculo imaginário.

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O movimento é um tema central na pintura: a pose dinâmica da bailarina, o voo dos colibris e a sugestão de som do trompete criam uma sensação de ritmo e leveza, reforçando a ideia de um "bailado".

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A paleta vibrante utilizada por Luiz Nogueira é fundamental para a atmosfera mágica da obra.

O azul celeste no fundo transmite calma e serenidade, enquanto o rosa intenso do vestido da bailarina e o dourado das linhas e instrumentos adicionam energia e luminosidade.

Os colibris, com as suas penas multicoloridas, trazem um toque de naturalismo e fantasia ao mesmo tempo.

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A composição cromática enfatiza o contraste entre o real e o surreal, tornando a cena um convite para a imaginação.

As cores quentes dos detalhes (vestido, trompete, linhas douradas) contrapõem-se harmoniosamente à leveza do fundo celeste.

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A bailarina representa a arte e a graça, equilibrando-se no fio ténue entre a realidade e a fantasia.

A sua conexão com os colibris, simbolizados por linhas douradas, sugere uma relação entre a dança e a natureza, como se ela estivesse em harmonia com o ambiente ao seu redor.

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Tradicionalmente associados à leveza e à alegria, os colibris aqui podem ser interpretados como metáforas para a liberdade criativa ou a inspiração artística.

Eles reforçam a ideia de que a dança da bailarina não é apenas física, mas também espiritual.

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O menino tocando o trompete, parece ser o iniciador da cena, como se a música que produz desse vida à dança e ao voo dos colibris.

Ele simboliza a conexão entre o som, o movimento e a criação.

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Observando a cena à distância, o macaco adiciona um toque de curiosidade e humor à obra, lembrando o observador de que há uma dimensão lúdica na arte.

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A obra combina elementos do realismo fantástico com influências do surrealismo, criando um universo próprio que convida o observador a imaginar.

Luiz Nogueira parece explorar a ideia de um espetáculo imaginário, onde música, dança e natureza coexistem em perfeita harmonia.

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O seu estilo detalhista e a habilidade de representar figuras humanas e animais de forma expressiva demonstram um domínio técnico aliado a uma visão criativa.

A atmosfera de sonho e a combinação de elementos oníricos com detalhes realistas aproximam a obra de tradições artísticas que celebram o imaginário.

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"Bailado de Colibris" é uma celebração da arte nas suas diversas formas — música, dança e pintura — como manifestações da liberdade criativa.

A obra parece evocar o poder transformador da imaginação, onde a conexão entre seres humanos, animais e o mundo natural é representada como um espetáculo mágico e harmonioso.

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Em conclusão, Luiz Nogueira, com "Bailado de Colibris", apresenta uma obra que combina técnica, cor e simbolismo para criar uma narrativa visual encantadora.

A dança da bailarina, o voo dos colibris e a música do menino formam um universo que é ao mesmo tempo etéreo e profundamente humano, convidando o observador a se perder na beleza do momento.

É uma obra que destaca a leveza e a magia da vida, equilibrando o real e o fantástico numa composição visual cativante.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Luiz Nogueira

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