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Pintura - Escolhas de Mário Silva

Pintura - Escolhas de Mário Silva

12
Dez25

Avô e Neto (Grandfather and grandson) 1871 - Vasily Grigorevich Perov (1834 – 1882)


Mário Silva

Avô e Neto (Grandfather and grandson) 1871

Vasily Grigorevich Perov (1834 – 1882)

12Dez Avô e Neto (Grandfather and grandson), 1871

Esta obra é um exemplo pungente do realismo social russo do século XIX, pintada por Vasily Perov, um dos membros fundadores do grupo "Os Itinerantes" (Peredvizhniki), conhecidos por retratar a vida das classes desfavorecidas com uma honestidade brutal e empática.

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A cena passa-se num interior escuro, desordenado e apertado, possivelmente uma “izba” (cabana camponesa) ou um alojamento temporário muito pobre.

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As Figuras Centrais: No centro da composição, um homem idoso está sentado num banco de madeira tosco.

Ele veste roupas gastas, uma camisa larga típica russa de cor lilás desbotada e calças azuis.

Nos pés, calça sapatos de entrecasca de bétula (conhecidos como “lapti”), calçado tradicional dos camponeses mais pobres da Rússia.

Entre os seus joelhos, está um menino, o seu neto.

O avô, com uma expressão de concentração e ternura, está a pentear ou a catar o cabelo da criança.

O menino, vestido com uma camisa branca larga e um colete castanho, apoia-se confiante na perna do avô, olhando vagamente para o lado, com uma postura relaxada.

O Cenário: O ambiente é de extrema pobreza.

Ao fundo, roupas e trapos estão pendurados numa corda improvisada, agindo quase como uma parede ou divisória.

À esquerda, vê-se uma acumulação de utensílios domésticos: potes de barro, tigelas de madeira e cestos, empilhados de forma precária.

À direita, uma espécie de tenda ou cortina feita de tecidos velhos sugere uma área de dormir improvisada.

No chão, há ferramentas e detritos, indicando um espaço onde se vive e trabalha simultaneamente.

Iluminação e Cor: A paleta de cores é dominada por tons terrosos, castanhos, cinzentos e ocres, transmitindo a sujidade e a penumbra do local.

A luz incide principalmente sobre o rosto e as mãos do avô e sobre a camisa branca do neto, destacando a humanidade das figuras contra a escuridão do ambiente.

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"Avô e Neto" não é apenas um retrato de pobreza; é um estudo sobre a dignidade e o afeto em circunstâncias adversas.

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Realismo Crítico e Social: Perov não romantiza a vida do camponês.

A desordem do quarto, as roupas remendadas e os “lapti” nos pés são marcadores sociais claros da miséria que assolava grande parte da população russa após as reformas de 1861 (abolição da servidão), que deixaram muitos camponeses livres, mas destituídos.

O artista utiliza a sua arte como uma ferramenta de crítica social, expondo as condições de vida dos esquecidos.

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O Ciclo da Vida e a Solidão: Há uma melancolia profunda na obra.

A ausência de uma geração intermédia (os pais da criança) é sentida, sugerindo que estes dois podem ser os únicos sobreviventes da família, apoiando-se mutuamente.

O avô representa o passado e a experiência desgastada; o neto representa o futuro incerto.

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Ternura no Caos: O contraste emocional é o ponto forte da obra.

Apesar do ambiente caótico e sujo, a ação central é de cuidado e higiene.

O gesto delicado do avô a arranjar o cabelo do neto é um ato de amor que transcende a miséria material.

Perov humaniza os sujeitos, mostrando que, mesmo na pobreza extrema, os laços familiares e a ternura persistem.

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Composição: A composição piramidal formada pelas duas figuras confere-lhes uma solidez e estabilidade que contrasta com a instabilidade dos objetos empilhados ao redor.

Eles são o pilar um do outro.

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Vasily Perov criou em "Avô e Neto" uma imagem intemporal da resiliência humana.

A pintura é um documento histórico da Rússia czarista, mas, acima de tudo, é uma obra emocionante sobre a proteção, a vulnerabilidade e o amor incondicional entre gerações face à adversidade.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Vasily Perov

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13
Jun25

“Santo António, com o Menino" - Bartolomé Esteban Murillo ----- Santo António: Lisboa ou Pádua?


Mário Silva

“Santo António, com o Menino"

Bartolomé Esteban Murillo

Santo António: Lisboa ou Pádua?

13Jun Santo Antonio com o Menino_Bartolomé Esteban Murillo

A pintura "Santo António com o Menino", de Bartolomé Esteban Murillo, é uma obra-prima do barroco espanhol, criada por volta de 1665-1670.

Esta obra, que se encontra no Museu de Belas Artes de Sevilha, reflete a habilidade de Murillo em combinar espiritualidade, ternura e realismo, características marcantes do seu estilo.

Na composição, Santo António é representado segurando o Menino Jesus nos braços, num momento de intimidade e devoção.

A figura de Santo António é retratada com uma expressão serena e contemplativa, vestindo o hábito franciscano, enquanto o Menino Jesus, com traços angelicais, parece interagir com ele de forma afetuosa.

A luz suave e o uso de cores quentes criam uma atmosfera celestial, com um fundo que sugere uma ligação divina, reforçada por detalhes como anjos ou nuvens, comuns na iconografia barroca.

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Murillo utiliza a sua técnica característica de “chiaroscuro” para destacar as figuras principais, conferindo-lhes uma qualidade quase etérea, ao mesmo tempo em que mantém um realismo humano que torna a cena acessível e emocionalmente envolvente.

A pintura reflete a profunda religiosidade da Espanha do século XVII, bem como a popularidade de Santo António como um santo querido, associado à proteção e à intercessão em causas pessoais.

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Santo António: Lisboa ou Pádua?

Santo António, uma das figuras mais veneradas da cristandade, é frequentemente associado a duas cidades: Lisboa, em Portugal, e Pádua, na Itália.

A questão "Santo António é de Lisboa ou de Pádua?" não é apenas uma disputa geográfica, mas também um reflexo da rica trajetória de vida do santo e da sua influência cultural em ambos os lugares.

Para responder a essa questão, é necessário explorar sua biografia, seus feitos e a forma como essas duas cidades moldaram sua identidade e legado.

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Santo António nasceu em Lisboa, por volta de 1195, com o nome de Fernando de Bulhões.

Filho de uma família nobre, ele cresceu num ambiente profundamente religioso, próximo à Sé de Lisboa.

Foi na sua cidade natal que Fernando ingressou na Ordem dos Cónegos Regulares de Santo Agostinho, iniciando a sua formação teológica.

Lisboa, portanto, reivindica Santo António como seu filho natural, e os portugueses celebram-no como um dos seus santos padroeiros.

A Basílica de Santo António, situada perto do local onde se acredita que ele nasceu, é um ponto de peregrinação que reforça essa ligação.

Para os lisboetas, Santo António é um símbolo de identidade nacional, e a sua festa, celebrada a 13 de junho, é marcada por festividades populares, como as marchas e os casamentos de Santo António.

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Embora nascido em Lisboa, Fernando mudou-se para Coimbra, onde se tornou frade franciscano e adotou o nome António.

A sua missão evangelizadora levou-o a viajar pela Europa, e foi em Pádua, na Itália, que ele desenvolveu grande parte do seu trabalho mais conhecido.

Entre 1226 e 1231, António destacou-se como um pregador excecional, conhecido pelos seus sermões que atraíam multidões e pela sua dedicação aos pobres e aos necessitados.

Os seus milagres, como a pregação aos peixes e a bilocação, começaram a ser associados a Pádua, onde faleceu em 13 de junho de 1231, aos 36 anos.

Canonizado menos de um ano após sua morte, ele ficou conhecido como Santo António de Pádua, e a Basílica de Santo António (Il Santo) em Pádua tornou-se um dos maiores centros de peregrinação católica.

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A questão de saber se Santo António é de Lisboa ou de Pádua não tem uma resposta simples, pois ambas as cidades desempenharam papéis fundamentais ma sua vida.

Lisboa foi o berço da sua existência física e espiritual, onde ele recebeu a sua educação inicial e a sua vocação religiosa.

Já Pádua foi o palco da sua maturidade espiritual, onde ele se destacou como teólogo, pregador e milagreiro.

Culturalmente, ambas as cidades reinvindicam-no: em Portugal, ele é o santo das causas perdidas e dos casamentos; na Itália, é o protetor dos pobres e dos objetos perdidos.

Essa dualidade reflete a universalidade de Santo António, cuja mensagem transcende fronteiras.

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Historicamente, Santo António é de Lisboa, pois foi onde nasceu e cresceu.

No entanto, sua associação com Pádua é igualmente forte, dado que foi lá que ele realizou os seus maiores feitos e onde o seu legado espiritual se consolidou.

A arte, como a pintura de Murillo, frequentemente representa-o como Santo António de Pádua, reforçando a ligação italiana devido à sua canonização e à fama dos seus milagres.

Contudo, em Portugal, ele é uma figura central do folclore e da religiosidade popular, especialmente em Lisboa, onde a sua imagem está presente em igrejas, altares domésticos e celebrações comunitárias.

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Em conclusão, Santo António é, ao mesmo tempo, de Lisboa e de Pádua.

Lisboa lhe deu a vida, enquanto Pádua lhe conferiu a santidade.

Essa dualidade não é uma contradição, mas um testemunho da sua capacidade de unir povos e culturas através da sua fé e carisma.

Assim, ao invés de escolher entre Lisboa e Pádua, é mais apropriado celebrar Santo António como um santo universal, cuja influência ressoa em ambas as cidades e além, tocando corações em todo o mundo.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Bartolomé Esteban Murillo

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05
Mai25

“Menino perto da Água" - Paul Gauguin


Mário Silva

“Menino perto da Água"

Paul Gauguin

05Mai Menino perto da agua-Paul Gauguin

A obra “Menino perto da Água" (título original em francês: “L’enfant près de l’eau”), é uma pintura do artista Paul Gauguin, um dos grandes nomes do pós-impressionismo.

Esta obra reflete um momento mais tranquilo e intimista dentro da sua produção, distanciando-se das composições mais exóticas que viria a realizar na sua fase posterior no Taiti.

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A pintura retrata um cenário bucólico: um caminho sombreado por árvores ao lado de um curso de água sereno.

Um menino — aparentemente pensativo ou distraído — caminha ou observa algo na margem do riacho.

A luz do sol filtra-se pelas folhas, criando jogos de luz e sombra sobre o caminho e sobre a vegetação exuberante.

A água reflete o céu e a vegetação ao redor, gerando uma atmosfera tranquila e contemplativa.

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- Estilo: Pós-impressionista, com forte influência do impressionismo francês, visível nas pinceladas soltas, quase vibrantes.

- Cores: Paleta rica em verdes, ocres, amarelos e tons terrosos, refletindo a abundância da natureza e a serenidade do local.

- Composição: A diagonal do caminho leva o olhar do observador até ao menino, criando uma profundidade suave. A margem do riacho serve como uma linha divisória entre o espaço natural e o humano.

- Luz e sombra: O manejo da luz é típico do impressionismo — fragmentada, refletida e difusa. As sombras não são negras, mas multicoloridas, cheias de nuances.

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Esta obra mostra Gauguin num momento mais introspetivo e ligado à natureza europeia, antes da sua fase exótica e simbólica no Pacífico.

Há um equilíbrio entre o naturalismo e a subjetividade — uma sensibilidade quase poética na observação da infância e da natureza.

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O menino não está idealizado; ele é parte do ambiente, quase como uma extensão da paisagem.

Isso demonstra o interesse de Gauguin por temas simples, quotidianos, e a sua busca por uma “pureza” que ele mais tarde procuraria nas culturas não ocidentais.

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Pode-se ver esta cena como uma metáfora para a infância como momento de descoberta e introspeção.

O menino, isolado, mas não solitário, parece estar em comunhão com o mundo natural à seu redor.

A cena sugere paz, mas também um certo mistério — o que está o menino a pensar? Para onde vai esse caminho?

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Paul Gauguin

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18
Jan25

"Bailado de Colibris" - Luiz Nogueira


Mário Silva

"Bailado de Colibris"

Luiz Nogueira

18Jan Bailado de Colibris - Luiz Nogueira

A pintura "Bailado de Colibris" do artista flaviense Luiz Nogueira é uma obra rica em cores e simbolismos, que explora o universo lúdico e fantástico por meio da combinação de figuras humanas, animais e elementos naturais.

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A composição apresenta um menino sentado na borda de um penhasco, tocando um instrumento de sopro (provavelmente um trompete).

Ele está vestido com roupas simples, com um colete azul que contrasta com o tom suave do céu ao fundo.

Em frente a ele, uma bailarina de vestido rosa vibrante executa um movimento gracioso sobre uma corda bamba, equilibrando-se com leveza.

A sua pose elegante, típica do ballet clássico, transmite fluidez e harmonia.

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O cenário é surreal, com colibris voando ao redor da bailarina, como se estivessem ligados a ela por linhas douradas, criando uma interação quase mágica entre os pássaros e a figura humana.

À direita da corda bamba, um pequeno macaco, segurando um objeto vermelho (possivelmente uma fruta ou um tambor), observa a cena, acrescentando um elemento de curiosidade.

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O fundo azul celeste é preenchido por nuvens, criando uma atmosfera etérea e onírica.

A corda bamba e os anéis coloridos no penhasco sugerem um ambiente de circo ou espetáculo, embora inserido em um espaço imaginativo.

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A obra é cuidadosamente estruturada para guiar o olhar do observador.

O trompete do menino parece dar o ponto de partida para a "melodia visual", que se desenrola na dança da bailarina e no voo dos colibris.

A corda bamba, por sua vez, liga todos os elementos numa linha de equilíbrio e tensão.

A interação entre os personagens (menino, bailarina, colibris e macaco) sugere uma narrativa implícita, onde cada um desempenha um papel num espetáculo imaginário.

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O movimento é um tema central na pintura: a pose dinâmica da bailarina, o voo dos colibris e a sugestão de som do trompete criam uma sensação de ritmo e leveza, reforçando a ideia de um "bailado".

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A paleta vibrante utilizada por Luiz Nogueira é fundamental para a atmosfera mágica da obra.

O azul celeste no fundo transmite calma e serenidade, enquanto o rosa intenso do vestido da bailarina e o dourado das linhas e instrumentos adicionam energia e luminosidade.

Os colibris, com as suas penas multicoloridas, trazem um toque de naturalismo e fantasia ao mesmo tempo.

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A composição cromática enfatiza o contraste entre o real e o surreal, tornando a cena um convite para a imaginação.

As cores quentes dos detalhes (vestido, trompete, linhas douradas) contrapõem-se harmoniosamente à leveza do fundo celeste.

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A bailarina representa a arte e a graça, equilibrando-se no fio ténue entre a realidade e a fantasia.

A sua conexão com os colibris, simbolizados por linhas douradas, sugere uma relação entre a dança e a natureza, como se ela estivesse em harmonia com o ambiente ao seu redor.

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Tradicionalmente associados à leveza e à alegria, os colibris aqui podem ser interpretados como metáforas para a liberdade criativa ou a inspiração artística.

Eles reforçam a ideia de que a dança da bailarina não é apenas física, mas também espiritual.

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O menino tocando o trompete, parece ser o iniciador da cena, como se a música que produz desse vida à dança e ao voo dos colibris.

Ele simboliza a conexão entre o som, o movimento e a criação.

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Observando a cena à distância, o macaco adiciona um toque de curiosidade e humor à obra, lembrando o observador de que há uma dimensão lúdica na arte.

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A obra combina elementos do realismo fantástico com influências do surrealismo, criando um universo próprio que convida o observador a imaginar.

Luiz Nogueira parece explorar a ideia de um espetáculo imaginário, onde música, dança e natureza coexistem em perfeita harmonia.

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O seu estilo detalhista e a habilidade de representar figuras humanas e animais de forma expressiva demonstram um domínio técnico aliado a uma visão criativa.

A atmosfera de sonho e a combinação de elementos oníricos com detalhes realistas aproximam a obra de tradições artísticas que celebram o imaginário.

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"Bailado de Colibris" é uma celebração da arte nas suas diversas formas — música, dança e pintura — como manifestações da liberdade criativa.

A obra parece evocar o poder transformador da imaginação, onde a conexão entre seres humanos, animais e o mundo natural é representada como um espetáculo mágico e harmonioso.

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Em conclusão, Luiz Nogueira, com "Bailado de Colibris", apresenta uma obra que combina técnica, cor e simbolismo para criar uma narrativa visual encantadora.

A dança da bailarina, o voo dos colibris e a música do menino formam um universo que é ao mesmo tempo etéreo e profundamente humano, convidando o observador a se perder na beleza do momento.

É uma obra que destaca a leveza e a magia da vida, equilibrando o real e o fantástico numa composição visual cativante.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Luiz Nogueira

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06
Jan25

"A Adoração do Menino" – Mário Silva (AI)


Mário Silva

"A Adoração do Menino"

Mário Silva (AI)

06Jan f110d75552eef2dcfc5925ed7675e814_ms

A pintura digital intitulada "A Adoração do Menino" retrata um momento central na narrativa cristã: a visita dos Reis Magos ao Menino Jesus, que simboliza a aceitação universal do Salvador por todas as nações.

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Os três Reis Magos (ou sábios do Oriente) — geralmente identificados como Gaspar, Melchior e Baltazar — simbolizam diferentes povos e continentes (Ásia, Europa e África). A adoração deles ao Menino Jesus reflete a mensagem de que Ele veio para salvar toda a humanidade, transcendente de raça, cultura ou geografia.

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Cada Rei trouxe um presente que possui profundo simbolismo espiritual:

Ouro: Representa a realeza de Cristo, reconhecendo-o como Rei dos Reis.

Incenso: Usado em rituais de adoração, simboliza a divindade de Jesus, reconhecendo-o como Deus.

Mirra: Substância usada para embalsamar, simboliza o sofrimento e a mortalidade de Cristo, antecipando sua paixão e morte.

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Apesar de serem reis e sábios, os Magos ajoelham-se em adoração, reconhecendo que o Menino Jesus é maior que qualquer rei terreno.

Este gesto é uma demonstração de humildade e de fé na promessa divina.

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A estrela que os guiou representa a luz divina que conduz à verdade.

Na tradição católica, isso também é interpretado como o Espírito Santo iluminando os corações e mentes para encontrar Cristo.

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A visita dos Reis Magos é celebrada na solenidade da Epifania (do grego “manifestação”). Representa a revelação de Jesus como o Messias, não apenas para o povo judeu, mas para toda a humanidade.

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Na pintura, o foco central no Menino Jesus, iluminado pela estrela que irradia acima, reflete a sua importância divina.

Os detalhes nas expressões dos Reis Magos e o cuidado nas suas vestes reforçam a reverência e diversidade cultural.

A proximidade deles ao berço é um símbolo da entrega e da fé.

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A adoração dos Magos ensina-nos sobre a busca da verdade, a humildade diante de Deus e a universalidade da salvação em Cristo.

É um chamamento à abertura do coração para a luz divina e ao reconhecimento do Cristo como Salvador do mundo.

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Texto & Pintura digital: ©MárioSilva

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04
Jan25

"São José e o Menino" - Josefa de Óbidos


Mário Silva

"São José e o Menino"

Josefa de Óbidos

04Jan São José e o Menino -Josefa de Obidos

Josefa de Óbidos, uma das mais importantes pintoras portuguesas do século XVII, presenteia-nos com uma obra de rara beleza e profundidade em "São José e o Menino".

A pintura, datada de 1670, retrata a figura de São José, o carpinteiro, num momento de intimidade com o Menino Jesus.

A composição é marcada pela serenidade e pela delicadeza dos traços, características da obra da artista.

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São José é representado como um homem maduro, com um rosto sereno e olhar compenetrado.

Os seus traços são marcados por uma suavidade que contrasta com a força das suas mãos, que segura com ternura o Menino Jesus.

O Menino, por sua vez, é retratado com uma beleza infantil e angelical, os seus olhos grandes e expressivos fixos no observador.

A paleta de cores é suave, dominada por tons terrosos e quentes, que criam uma atmosfera acolhedora e íntima.

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O fundo da pintura é simples, com um pano de fundo neutro que destaca as figuras principais.

A luz incide suavemente sobre as figuras, modelando os volumes e criando uma sensação de profundidade.

A técnica utilizada por Josefa de Óbidos é impecável, com pinceladas precisas e delicadas que revelam o domínio da artista sobre a pintura a óleo.

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A obra de Josefa de Óbidos insere-se no contexto do Barroco Português, caracterizado por um intenso sentimento religioso, pela procura da emoção e pela representação realista.

A pintura "São José e o Menino" exemplifica essas características, com a representação devota dos santos e a busca pela beleza idealizada.

A obra de Josefa de Óbidos revela a influência de artistas como Zurbarán, que também se dedicou à representação de temas religiosos com grande realismo e detalhe.

No entanto, a artista portuguesa desenvolveu um estilo próprio, marcado por uma grande sensibilidade e delicadeza.

A iconografia da pintura é tradicional, seguindo os padrões estabelecidos pela Igreja Católica para a representação de São José.

No entanto, Josefa de Óbidos confere à obra uma originalidade e uma profundidade psicológica que a distingue de outras representações do mesmo tema.

A técnica utilizada por Josefa de Óbidos é admirável.

A artista demonstra um grande domínio da pintura a óleo, utilizando pinceladas precisas e delicadas para construir as formas e as texturas.

A luz e a sombra são utilizadas de forma magistral para criar um efeito de volume e profundidade.

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Josefa de Óbidos é uma figura fundamental na história da arte portuguesa.

A sua obra, marcada por uma grande sensibilidade e por um profundo conhecimento da técnica, contribuiu para a afirmação da pintura religiosa em Portugal.

A artista desafiou as convenções da sua época, tornando-se uma referência para as gerações futuras.

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Em conclusão, "São José e o Menino" é uma obra-prima da pintura portuguesa, que nos revela a genialidade de Josefa de Óbidos.

A pintura, marcada por uma grande beleza e por uma profunda espiritualidade, convida-nos a uma reflexão sobre a fé, a família e a esperança.

A obra de Josefa de Óbidos continua a encantar e a inspirar gerações de artistas e amantes da arte.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Josefa de Óbidos

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29
Dez24

"Adoração dos Pastores" - El Greco


Mário Silva

"Adoração dos Pastores"

El Greco

29Dez Adoração dos pastores por El Greco

A obra "Adoração dos Pastores" de El Greco é uma das mais emblemáticas do artista e um marco na história da arte.

A tela, repleta de simbolismo e expressividade, convida-nos a uma profunda imersão no universo espiritual e emocional do pintor.

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A pintura retrata o momento em que os pastores, guiados por uma estrela, encontram o menino Jesus recém-nascido.

A cena, embora baseada num episódio bíblico, é reinterpretada por El Greco de forma singular e marcante.

As figuras são alongadas e estilizadas, com membros finos e rostos expressivos, características típicas do estilo maneirista do artista.

A paleta de cores é vibrante e contrastante, com tons quentes e frios entrelaçando-se de forma dramática.

A iluminação é intensa e direcionada, criando um efeito de misticismo e espiritualidade.

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El Greco não buscava a representação realista da cena.

Ao alongar as figuras e deformar as proporções, ele intensifica a emoção e o misticismo da obra.

Essa estilização, característica do seu estilo, confere à pintura um caráter quase visionário.

A paleta de cores intensa e contrastante contribui para a atmosfera dramática da obra.

As cores quentes, como o vermelho e o amarelo, evocam sentimentos de paixão e devoção, enquanto os tons frios, como o azul e o verde, sugerem a presença do divino.

A obra transcende a representação de um evento histórico e torna-se uma expressão da fé religiosa de El Greco.

A luz intensa que incide sobre as figuras, a postura dos pastores e a expressão dos seus rostos revelam uma profunda experiência espiritual.

A pintura reflete a cultura espanhola da época, marcada por uma intensa religiosidade e misticismo.

A obra de El Greco, com as suas figuras alongadas e expressões dramáticas, conecta-se com a tradição da escultura gótica espanhola.

El Greco não se limitou a seguir os padrões estéticos da sua época.

Ao criar um estilo pessoal e original, ele abriu caminho para novas formas de expressão artística e influenciou gerações de pintores.

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Em resumo, "Adoração dos Pastores" é uma obra que transcende o tempo e o espaço, convidando o observador a uma experiência estética e espiritual única.

A pintura de El Greco é um testemunho da força da expressão artística e da capacidade da arte de transcender a realidade e conectar-se com o divino.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: El Greco

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25
Dez24

Espírito de Natal (por Mário Silva)


Mário Silva

Espírito de Natal

(por Mário Silva)

25Dez Natal 12_ms

 

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No silêncio da noite, nasce a esperança,

Um menino envolto em luz que nos alcança.

Maria sorri, José vigia,

E a vida renasce com nova alegria.

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Sob a copa das árvores, o céu a brilhar,

Uma estrela aponta o caminho a seguir.

Pastores se curvam, em humilde oração,

Acolhem o milagre com devoção.

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Os animais, em serena harmonia,

Guardam o berço na gruta vazia.

E no canto dos anjos, um doce refrão,

Glória ao menino, a redenção.

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Espírito de Natal, vem nos tocar,

Com amor e verdade, nos transformar.

Que cada coração seja um altar,

E a paz no mundo possa reinar.

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Poema & Pintura digital: ©MárioSilva

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A TODOS  UM FELIZ  e  SANTO NATAL

 

 

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