"Pedra Bolideira” (Chaves) - Alfredo Cabeleira
Mário Silva
"Pedra Bolideira” (Chaves)
Alfredo Cabeleira

A pintura "Pedra Bolideira" do artista flaviense Alfredo Cabeleira é uma representação da famosa formação geológica localizada no concelho de Chaves, Trás-os-Montes.
A obra insere-se na tradição da pintura de paisagem, com um foco particular no património natural e na representação da natureza no inverno.
.
O quadro capta uma paisagem dominada pelas Pedras Bolideiras, grandes blocos graníticos que se equilibram.
O Assunto Central: No centro da composição, vemos os blocos de granito maciços.
A sua forma arredondada e as cores terrosas (castanhos e cinzentos escuros) sugerem a dureza e a antiguidade da rocha.
O inverno: A cena está inequivocamente ambientada no inverno.
A neve e a geada cobrem o solo no primeiro plano, retratada em tons de branco, azul-claro e violeta pálido, refletindo a luz fria do ambiente.
As superfícies superiores das pedras também estão polvilhadas com neve, realçando as suas formas e texturas.
A Paisagem Circundante: O fundo é composto por uma linha de árvores despidas de folhagem, com os seus ramos finos e escuros a desenharem-se contra o céu.
Esta vegetação esparsa acentua a atmosfera de frio e solidão.
O Céu e a Luz: O céu, visível na parte superior, apresenta-se com nuvens suaves em tons de branco e azul-celeste, com toques de amarelo e laranja, sugerindo a luz do final da tarde ou do início da manhã, típica de um dia de inverno.
A luz é difusa, mas suficiente para criar sombras suaves e realçar o contraste entre a escuridão da rocha e o brilho da neve.
.
Realismo e Técnica
Alfredo Cabeleira demonstra um domínio da pintura figurativa e realista.
A sua técnica é detalhada, especialmente no tratamento das texturas da rocha e na representação do efeito da neve e do gelo.
Cor e Atmosfera: A paleta de cores é fria e contida, dominada pelos azuis, brancos, castanhos e cinzentos, o que estabelece imediatamente uma atmosfera de inverno transmontano.
O uso de violetas e azuis esbatidos na neve e nas sombras confere profundidade e realismo à representação da luz fria.
Textura: O artista é eficaz a transmitir a rugosidade e aspereza do granito, em contraste com a suavidade e a frieza da neve.
Esta dualidade tátil é um ponto forte da obra.
.
Significado e Sentido de Local
A escolha do tema – a Pedra Bolideira – não é neutra.
Esta formação é um símbolo geológico e cultural de Chaves.
Valor Documental: A obra de Cabeleira, para além do seu mérito artístico, possui um valor documental, celebrando um marco geológico local e preservando a memória da paisagem transmontana.
A Força da Natureza: A pintura sublinha a imponência e a força da natureza.
A escala das pedras em comparação com a paisagem circundante e as frágeis árvores despidas evoca a permanência da geologia face à transitoriedade sazonal.
Interpretação da Luz: O tratamento da luz na neve sugere o silêncio e a quietude que frequentemente acompanham a paisagem nevada.
Há um certo dramatismo contido na forma como os elementos (rocha, neve e árvores) interagem sob o céu vasto.
.
Em suma, a pintura "Pedra Bolideira" de Alfredo Cabeleira é uma homenagem robusta e sensível à paisagem da sua terra natal.
É uma obra que utiliza o realismo técnico para evocar a imponência da natureza, a quietude do inverno e a identidade telúrica de Trás-os-Montes.
.
Texto: ©MárioSilva
Pintura: Alfredo Cabeleira
.
.

