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Pintura - Escolhas de Mário Silva

Pintura - Escolhas de Mário Silva

01
Ago25

"Aldeia" - José Moniz


Mário Silva

"Aldeia"

José Moniz

01Ago Aldeia_José Moniz

A pintura "Aldeia" de José Moniz é uma representação estilizada de uma paisagem urbana rural ou de uma pequena povoação.

A obra apresenta uma paleta de cores fortes e contornos bem definidos, sugerindo um estilo que pode ser enquadrado entre o “naif”, o expressionista ou um figurativismo simplificado.

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A composição é densa e preenchida por diversas construções e elementos naturais.

No centro da pintura, destaca-se uma igreja ou torre sineira, de cor clara (bege ou amarela pálida), com arcos para os sinos e um telhado cónico avermelhado no topo.

Próximo a ela, outras casas com telhados de cor telha e paredes em tons de branco, ocre e laranja-claro aglomeram-se, subindo por uma encosta.

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A aldeia está aninhada numa paisagem montanhosa ou acidentada, com colinas representadas em tons de castanho e verde escuro.

Árvores estilizadas, com copas arredondadas em tons de verde e azul esverdeado, pontuam a paisagem e as ruas da aldeia, conferindo um toque orgânico à cena.

Há também áreas que parecem ser terrenos cultivados ou vegetação densa em tons de verde mais escuro.

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No primeiro plano, a parte inferior da pintura mostra uma área murada com pedras, em tons de cinza e azul acinzentado, sugerindo ruas estreitas ou áreas de fundação das casas.

Algumas construções estendem-se para fora do enquadramento, dando a impressão de uma aldeia que continua além dos limites da tela.

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O céu, na parte superior da pintura, é de um azul profundo e uniforme, com poucas ou nenhumas nuvens, criando um contraste nítido com as cores quentes da aldeia.

As linhas pretas ou escuras definem os contornos das casas, das árvores e dos elementos arquitetónicos, conferindo à obra um aspeto de vitral ou ilustração.

A assinatura do artista, "José Moniz", é visível no canto inferior direito.

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José Moniz, como pintor flaviense (natural de Chaves), frequentemente explora temas ligados à paisagem e à arquitetura tradicionais portuguesas, muitas vezes com uma abordagem que remete à memória e à emoção.

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A característica mais marcante da pintura é o seu estilo.

A simplificação das formas, a delimitação dos contornos com linhas escuras e o uso de cores vibrantes e chapadas remetem ao “Naif”, mas com uma sofisticação na composição que o distancia da ingenuidade pura.

Há também elementos que lembram o Expressionismo, na forma como a cor é usada para expressar sentimentos e a distorção para enfatizar a essência, e até influências do Cubismo na forma como as casas são representadas por planos geométricos justapostos, embora não haja fragmentação.

Esta fusão de estilos confere à obra um carácter único.

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A composição é densa e compacta, com os edifícios e a paisagem a preencherem quase todo o espaço da tela.

A perspetiva é "escalonada", com os elementos sobrepondo-se uns aos outros para dar a sensação de profundidade e de uma aldeia construída numa encosta.

Não há uma perspetiva linear clássica; em vez disso, Moniz usa uma perspetiva simultânea ou "vista de pássaro" combinada com uma frontalidade, que permite ao observador ver vários ângulos e detalhes ao mesmo tempo.

Isto cria uma sensação de aconchego e densidade.

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A paleta de cores é rica e saturada.

Os vermelhos dos telhados e os ocres das paredes contrastam lindamente com os verdes e azuis das árvores e do céu.

As cores são usadas para construir a forma e dar vida à aldeia, mais do que para reproduzir fielmente a realidade da luz.

A luz na pintura não é naturalista; parece emanar das próprias cores e da vivacidade da cena, criando uma atmosfera vibrante e quase intemporal.

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A "Aldeia" é um tema recorrente na arte portuguesa, simbolizando a identidade rural, a comunidade e a tradição.

Moniz não retrata uma aldeia específica com realismo fotográfico, mas sim a ideia de aldeia – um aglomerado de vida, com a sua igreja como centro, rodeada pela natureza.

A sua representação quase onírica pode evocar memórias afetivas de aldeias tradicionais, um património arquitetónico e cultural.

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A pintura transmite uma sensação de vitalidade e calor.

Apesar da estilização, há uma humanidade inerente na forma como a aldeia é apresentada, como um organismo vivo e pulsante.

Há uma celebração da vida simples e da beleza intrínseca das comunidades rurais.

A obra inspira uma sensação de paz e contemplação, como se o tempo parasse neste recanto.

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Em suma, "Aldeia" de José Moniz é uma pintura cativante que se destaca pela sua linguagem plástica distintiva.

Através da simplificação das formas, da utilização de contornos marcados e de uma paleta de cores vibrantes, o artista cria uma visão poética e intemporal de uma aldeia, celebrando o património rural e a beleza da vida em comunidade.

É uma obra que convida o observador a uma viagem nostálgica e afetiva.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: José Moniz

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08
Jul25

"O manjerico e o gato" - José Moniz


Mário Silva

"O manjerico e o gato"

José Moniz

08Jul O mangerico e o gato_José Moniz

A pintura apresenta uma cena enquadrada por uma janela, com uma paleta de cores vibrantes e um estilo que remete ao figurativismo com toques de cubismo e ingenuidade.

No centro da composição, uma figura feminina, ocupa a maior parte do lado direito da janela.

Ela está vestida com um top azul com um decote arredondado e um colar de pérolas, os seus braços estão cruzados e ela usa uma bracelete com uma conta.

O rosto da mulher é marcadamente estilizado, dividido em duas metades com diferentes tonalidades de pele e traços geométricos, conferindo-lhe uma expressão séria ou pensativa.

Seu cabelo escuro é penteado para trás, revelando brincos simples.

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À esquerda da mulher, e também dentro do parapeito da janela, um gato de cor lilás-acinzentada está sentado.

O gato tem olhos grandes e uma expressão um tanto enigmática, quase humana.

Ao lado do gato, no canto inferior esquerdo, vê-se um vaso de barro vermelho com uma planta verde frondosa, que, conforme o título, é um "manjerico".

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O fundo da pintura é dividido.

À esquerda da mulher, através da janela, percebe-se um ambiente interno, talvez uma sala, com um lustre pendurado no teto, iluminado por lâmpadas que emitem um brilho amarelado.

 As paredes desse ambiente são de um amarelo suave.

À direita da mulher, a janela abre-se para um exterior ou outra divisão com um papel de parede estampado com motivos florais vermelhos sobre um fundo claro, e uma porta ou janela com grades escuras.

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A moldura da janela é proeminente, com uma parte superior azul claro e as laterais e inferior em tons de laranja e castanho, adicionando profundidade à cena.

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A obra "O manjerico e o gato" de José Moniz é um exemplo interessante de como o artista explora a forma e a cor para criar uma narrativa visual única.

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Moniz demonstra uma fusão de estilos.

O uso de formas geométricas no rosto da mulher e a fragmentação dos planos (observada, por exemplo, na divisão do rosto e do fundo da janela) remetem claramente ao cubismo, embora de uma forma mais suave e menos abstrata.

Paralelamente, a simplicidade das formas, a paleta de cores vibrantes e um certo despojamento na representação conferem à obra um toque de arte naïf ou primitivista.

A bidimensionalidade é acentuada, com pouca preocupação com a profundidade perspética convencional.

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A composição é cuidadosamente equilibrada.

A janela atua como um "palco", enquadrando os personagens principais e convidando o observador a espiar a cena.

A disposição da mulher à direita e do gato e do manjerico à esquerda cria um diálogo visual, embora não haja uma interação direta explícita entre os personagens.

A presença do lustre no fundo esquerdo e da janela com grades no fundo direito sugere diferentes ambientes ou perspetivas, enriquecendo a narrativa visual.

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O título "O manjerico e o gato" sugere uma relação de proximidade e familiaridade, comum na cultura portuguesa, onde o manjerico é associado às festas populares e à sorte.

A presença do gato, um animal doméstico por excelência, reforça essa atmosfera de intimidade e lar.

A figura da mulher, com o seu semblante pensativo e enigmático, pode representar a introspeção ou a figura guardiã desse espaço doméstico.

A divisão de seu rosto pode simbolizar dualidades da personalidade, estados de espírito contrastantes ou diferentes facetas da existência humana.

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As cores são usadas com intencionalidade e impacto.

A paleta é predominantemente quente (amarelos, laranjas, vermelhos) com toques de azul e lilás que criam contraste e dinamismo.

O lilás do gato, em particular, é uma escolha cromática inusitada que o destaca e lhe confere uma qualidade quase mística.

As cores não são meramente descritivas, mas expressivas, contribuindo para o clima geral da obra.

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A expressividade da pintura reside menos no realismo anatómico e mais na estilização e na sugestão.

O olhar da mulher e do gato, embora simplificados, carregam uma carga emocional que convida à interpretação.

A pintura transmite uma sensação de calma, mas também de uma certa melancolia ou mistério, convidando o observador a refletir sobre os elementos apresentados.

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Em suma, "O manjerico e o gato" é uma obra que se destaca pela originalidade da sua abordagem estética.

José Moniz consegue, com maestria, unir diferentes vertentes artísticas para criar uma imagem que é ao mesmo tempo acessível e profunda, familiar e enigmática.

A pintura não apenas descreve uma cena, mas evoca uma atmosfera e convida à contemplação sobre a vida doméstica, a natureza humana e a beleza do quotidiano sob uma ótica artística singular.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: José Moniz

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05
Jan24

"Palácio da Brejoeira" - Vanessa Azevedo


Mário Silva

"Palácio da Brejoeira"

Vanessa Azevedo

J05 Palacio da Brejoeira - Vanessa Azevedo

🎨

Nasceu em Carcavelos em 1974, onde ainda vive e mantém atelier. Desde muito cedo, começou a demonstrar talento para a criação artística, certamente influenciada pelo seu Pai, o Mestre Rui de Azevedo já falecido. Aguarelista de feição naturalista, tem trabalhado também na área da ilustração para livros infantis. Pinta a aguarela sobretudo cidades e pessoas de outras épocas para não caírem no esquecimento, pinta também a acrílico maioritariamente o abstrato e o figurativo. A artista apresenta, no aspeto técnico grande apuramento em termos de tratamento das formas, volumes, sombreados, tonalidades e transparências.

A sua arte já esteve exposta em várias cidades do mundo tais como Paris, Nova Iorque, São Paulo, Roma, Vigo (Espanha), Londres, entre outras.

Atualmente pinta na companhia dos seus animais, o seu gato e do seu cão. O seu traço é estruturado, equilibrado, harmonioso e enriquecido por uma paleta variada.

Vanessa d’Azevedo é, hoje, uma esperança na Aguarela Contemporânea Portuguesa que importa acarinhar e divulgar.

10
Dez23

"Luzerna" - António Manuel Fernandes Miranda


Mário Silva

"Luzerna"

António Manuel Fernandes Miranda

D10 Luzerna_António Manuel Fernandes Miranda

António Manuel Fernandes Miranda é um reconhecido pintor português contemporâneo, nascido em Lisboa em 1953.

A sua obra é caracterizada por uma abordagem expressiva e única que combina elementos figurativos e abstratos.

Miranda estudou na Escola de Belas Artes de Lisboa, onde desenvolveu as suas habilidades artísticas e começou a explorar diferentes técnicas e estilos. Ao longo da sua carreira, a sua obra tem evoluído, passando por diferentes fases e experimentando com várias formas de expressão artística.

A sua pintura é frequentemente marcada por cores vibrantes e contrastantes, que muitas vezes transmitem emoções e sentimentos intensos.

Miranda tem uma habilidade distintiva de criar composições que capturam a atenção do observador, muitas vezes através de uma combinação de formas abstratas e elementos figurativos, resultando em obras visualmente estimulantes.

A temática das suas pinturas varia, mas muitas vezes inclui paisagens urbanas, retratos e abstrações que refletem a sua própria interpretação do mundo ao seu redor. Através da sua arte, Miranda consegue transmitir não apenas a realidade visível, mas também uma visão subjetiva e emocional.

Ao longo da sua carreira, Miranda participou em diversas exposições individuais e coletivas em Portugal e no estrangeiro, consolidando a sua posição como um dos artistas contemporâneos de destaque no cenário artístico português.

A obra de António Manuel Fernandes Miranda é apreciada tanto pela sua técnica habilidosa quanto pela profundidade emocional que transmite, tornando-o uma figura importante na arte contemporânea de Portugal.

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16
Out23

"Vaso de Flores" (1973) - Rodrigo de Haro (1939-2021)


Mário Silva

 

"Vaso de Flores" (1973)

Rodrigo de Haro (1939-2021)

O16 Vaso de Flor, 1973 - Rodrigo de Haro

Rodrigo de Haro nasceu em Paris, França, em 6 de maio de 1939, filho do pintor Martinho de Haro, que estava a estudar na Académie de La Grande Chaumière. Com o início da Segunda Guerra Mundial, a família regressou ao Brasil.

Rodrigo de Haro começou a pintar ainda criança, seguindo os passos do pai. Estudou arquitetura e urbanismo na Universidade Federal de Santa Catarina, mas dedicou-se principalmente à pintura, à escultura e ao mosaico.

A sua obra é marcada pela diversidade de estilos e técnicas, desde o abstracionismo ao figurativismo, passando pelo surrealismo. É um artista prolífico, com uma vasta obra que inclui pinturas, esculturas, mosaicos, murais, desenhos e gravuras.

Rodrigo de Haro foi um artista importante para a cultura brasileira, com uma obra que marcou a história da arte do país. Foi membro da Academia Catarinense de Letras e recebeu diversos prêmios, entre os quais o Prêmio Nacional de Arte, em 1982.

O artista faleceu em Florianópolis, em 1 de julho de 2021, aos 82 anos de idade.

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Rodrigo de Haro foi influenciado por uma grande variedade de artistas, desde os clássicos da pintura portuguesa e brasileira, como Aleijadinho, Portinari e Di Cavalcanti, até os artistas modernos, como Pablo Picasso, Salvador Dalí e Joan Miró.

A obra de Rodrigo de Haro é marcada pela diversidade de estilos e técnicas. O artista experimentou diferentes estilos ao longo da sua carreira, desde o abstracionismo ao figurativismo, passando pelo surrealismo.

No início da sua carreira, Haro foi influenciado pelo abstracionismo, mas rapidamente se interessou pelo figurativismo. Na década de 1960, começou a experimentar o surrealismo, um movimento artístico que explora o mundo dos sonhos e do inconsciente.

A partir da década de 1970, Haro voltou ao figurativismo, mas com uma abordagem mais expressionista. A sua obra desta época é marcada por uma paleta de cores vivas e por um traço vigoroso.

 

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