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Pintura - Escolhas de Mário Silva

Pintura - Escolhas de Mário Silva

18
Set25

"Torre dos Clérigos (Porto)" - Jorge Vieira


Mário Silva

"Torre dos Clérigos (Porto)"

Jorge Vieira

18Set Torre dos Clérigos (Porto) - Jorge Vieira

A pintura de Jorge Vieira oferece uma interpretação expressiva e moderna da icónica Torre dos Clérigos, um dos mais conhecidos ex-líbris da cidade do Porto.

Afastando-se de uma representação realista ou académica, o artista opta por uma abordagem gestual e de grande vigor, focada na essência e na energia do monumento e da sua envolvente urbana.

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A técnica é a característica mais proeminente da obra.

Vieira utiliza pinceladas (ou mais provavelmente, espátulas) largas, decididas e texturadas para construir a forma da torre e dos edifícios adjacentes.

As formas são fragmentadas, quase desconstruídas, revelando a estrutura subjacente em vez de detalhes arquitetónicos precisos.

Esta abordagem confere à composição uma sensação de dinamismo e espontaneidade.

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A paleta cromática é deliberadamente restrita e de alto contraste, limitada a preto, um tom de ocre-dourado e o branco do próprio suporte (papel ou tela).

O preto define as sombras, os contornos e as massas estruturais com força e dramatismo.

O ocre-dourado, aplicado de forma irregular, sugere a cor do granito da torre banhado pela luz, conferindo calor e um ponto focal à composição.

O branco do fundo não é um espaço vazio, mas um elemento ativo que define a luz, cria espaço e dá respiração à cena.

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Composicionalmente, a torre ergue-se como o elemento vertical dominante, mas a sua solidez é desafiada pela fragmentação da técnica.

Em primeiro plano, figuras humanas são representadas como silhuetas negras e esquemáticas, captadas em movimento.

Linhas caligráficas e fluidas no chão sugerem o reflexo em piso molhado ou simplesmente o dinamismo da rua, guiando o olhar do observador para o centro da cena.

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A obra "Torre dos Clérigos" de Jorge Vieira é uma afirmação poderosa sobre como a arte pode reinterpretar a realidade, transcendendo a mera documentação para capturar uma impressão, uma emoção.

 

Vieira não está interessado em pintar a Torre dos Clérigos tal como ela "é", mas sim como ela "se sente".

Ao fragmentar a sua forma sólida, o artista desafia a perceção estática e monumental do edifício.

A torre deixa de ser um postal turístico para se tornar uma entidade viva, pulsante, integrada na agitação da cidade.

Esta desconstrução pode ser interpretada como uma visão da cidade moderna: rápida, fragmentada, feita de momentos e impressões fugazes.

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A grande força da pintura reside na sua energia cinética.

As marcas vigorosas da espátula e as linhas caligráficas infundem a cena com um movimento constante.

As figuras, embora pequenas, são cruciais; a sua presença e movimento contrastam com a verticalidade do monumento, humanizando a paisagem urbana.

Vieira não pinta um lugar, pinta o acontecer de um lugar.

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A escolha de uma paleta tão limitada é uma decisão de mestre.

O alto contraste entre o preto, o ocre e o branco cria um enorme impacto visual e um jogo dramático de luz e sombra.

Não se trata de uma luz naturalista, mas de uma "luz emocional".

O dourado pode simbolizar não apenas o sol, mas a própria importância histórica e afetiva da torre para a cidade, como uma joia cravada na paisagem.

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A genialidade de Vieira nesta obra está na sua capacidade de síntese.

Com poucos elementos e uma economia de meios notável, ele consegue evocar a atmosfera de uma das zonas mais movimentadas do Porto.

A ausência de detalhes força o observador a preencher as lacunas, a participar ativamente na obra, reconhecendo uma forma familiar apresentada de uma maneira radicalmente nova.

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Em suma, "Torre dos Clérigos" de Jorge Vieira é uma obra de arte excecional que demonstra como a linguagem abstrata e expressionista pode oferecer uma visão mais profunda e visceral de um tema figurativo.

É uma pintura que celebra não só a arquitetura do Porto, mas a alma vibrante e incansável da cidade.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Jorge Vieira

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15
Ago25

"A Santa" - José Moniz


Mário Silva

"A Santa"

José Moniz

15Ago A Santa_José Moniz

A pintura "A Santa" de José Moniz é um retrato estilizado, focado no busto de uma figura feminina, possivelmente uma representação de uma santa ou figura religiosa, como o título sugere.

A obra é caracterizada por um estilo que remete ao vitral ou à arte sacra modernizada, utilizando formas geométricas e contornos bem definidos.

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A figura tem o rosto simplificado, com traços faciais mínimos – uma linha vertical para o nariz e uma linha horizontal para a boca – o que lhe confere uma expressão serena e impessoal.

O cabelo castanho emoldura o rosto.

A cabeça é coroada por uma auréola segmentada em tons de amarelo e bege, que se assemelha a um chapéu largo ou a um disco, reforçando a sua sacralidade.

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A figura está envolta em vestes que combinam tons de verde, amarelo e branco, com algumas áreas em rosa e um toque de azul vibrante à direita do rosto, que pode ser parte de um véu ou adereço.

As dobras e os volumes das vestes são sugeridos por linhas e blocos de cor.

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O fundo da pintura é de um verde sólido e uniforme, que realça a figura central e cria um contraste suave com as cores das vestes e da auréola.

Os contornos pretos ou escuros demarcam claramente cada segmento de cor, tal como acontece nos vitrais.

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"A Santa" de José Moniz é uma obra que se destaca pela sua abordagem moderna e expressiva da iconografia religiosa, combinando elementos tradicionais com uma estética contemporânea.

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Moniz emprega um estilo que evoca a técnica do vitral, com o uso de fortes contornos escuros que separam áreas de cor plana ou ligeiramente modulada.

Esta abordagem confere à pintura uma qualidade gráfica e arquitetónica, quase como se fosse um fragmento de uma peça maior de arte sacra.

A simplificação das formas e a abstração dos traços faciais não diminuem a expressividade, mas antes a concentram na postura e na aura da figura.

É um estilo que remete ao modernismo e ao “art déco”, com uma clara influência da arte religiosa bizantina ou medieval na sua iconografia simplificada e simbólica.

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A composição é centrada na figura da santa, com um enquadramento cerrado que foca a atenção no seu busto e rosto.

A auréola proeminente não é apenas um símbolo de santidade, mas também um elemento composicional forte que enquadra a cabeça da figura.

O fundo liso e monocromático evita distrações, permitindo que a figura principal se destaque plenamente.

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A paleta de cores é cuidadosamente escolhida.

Os tons de verde nas vestes podem simbolizar esperança, renascimento ou a natureza.

O amarelo da auréola evoca luz divina e santidade.

O toque de azul pode remeter à Virgem Maria, dado o seu simbolismo.

A forma como as cores são dispostas em segmentos geométricos confere-lhes uma luminosidade e uma pureza que reforçam o carácter sacro da obra.

A ausência de sombras profundas e a clareza das cores contribuem para uma sensação de transcendência.

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Apesar da simplificação dos traços faciais, a figura irradia uma serenidade e uma quietude que sugerem espiritualidade.

A ausência de uma expressão "humana" detalhada convida o observador a projetar as suas próprias emoções e contemplações, tornando a figura um arquétipo universal de santidade.

A aura e a dignidade da figura são comunicadas através da sua pose calma e da pureza das formas.

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José Moniz demonstra a capacidade de reinterpretar a iconografia religiosa de uma forma que é ao mesmo tempo respeitosa da tradição e inovadora em termos de estilo.

"A Santa" prova que a arte religiosa pode ser contemporânea e acessível, sem perder a sua ressonância espiritual e simbólica.

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Em suma, "A Santa" de José Moniz é uma pintura marcante pela sua estética de inspiração em vitrais e pela sua abordagem modernista à iconografia religiosa.

É uma obra que evoca serenidade e espiritualidade através da simplificação das formas, do uso expressivo da cor e de uma composição focada, tornando-a uma representação poderosa e contemplativa da santidade.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: José Moniz

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16
Jul25

"Maternidade" - Eurico Borges


Mário Silva

"Maternidade"

Eurico Borges

04Jul Maternidade_Eurico Borges

A obra "Maternidade" de Eurico Borges é uma representação expressiva e tocante de uma figura materna a segurar o seu filho.

A técnica utilizada parece ser uma xilogravura, litografia ou um desenho a carvão/guache, dado o forte contraste e as texturas ásperas.

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A composição é vertical e centrada, com a figura da mãe e do filho a ocuparem a maior parte do espaço.

A mãe é retratada em três quartos, com a cabeça ligeiramente inclinada para o lado direito do observador, olhando para o seu filho que está aninhado nos seus braços.

O filho é representado de forma mais compacta e protegida.

O fundo é abstrato e texturizado, criando uma atmosfera envolvente.

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A obra é predominantemente monocromática, utilizando uma paleta limitada de preto, branco e vários tons de cinzento.

O contraste é extremamente acentuado, com áreas de preto profundo que sugerem sombra e peso, e áreas de branco puro que se destacam, particularmente nas vestes da mãe e talvez na pele do filho, criando pontos de luz e foco.

A técnica de eclosão (hatching) e as marcas de ferramentas (se for uma gravura) criam uma rica gama de texturas e tons intermédios.

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A figura materna é robusta e protetora.

O seu rosto é expressivo, com traços marcados – olhos grandes e um olhar que transmite ternura, preocupação ou introspeção.

O cabelo é longo e flui sobre os ombros, misturando-se com o fundo escuro.

Os seus braços envolvem firmemente o filho.

A sua vestimenta é simplificada, com grandes áreas de branco puro que se destacam contra o fundo escuro, dando-lhe uma forma quase escultural.

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O filho é representado de forma mais estilizada e abstrata, quase como um invólucro protegido nos braços da mãe.

A sua forma é arredondada, e a sua cabeça está encostada ao peito da mãe.

Uma das suas mãos, ou o que parece ser uma mão, é visível em primeiro plano, com os dedos estendidos num gesto que pode ser de busca, agarrar ou simplesmente um movimento inocente.

Esta mão é um dos poucos elementos que introduzem um pequeno dinamismo na figura da criança.

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O fundo é abstrato e altamente texturizado, com marcas de pinceladas ou linhas que criam uma sensação de movimento e profundidade.

Alternam-se áreas escuras e claras, mas de forma desordenada e expressiva, sugerindo um ambiente tumultuado ou, inversamente, a profundidade emocional da cena.

As texturas escuras e riscadas criam um contraste dramático com as figuras em primeiro plano.

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A obra é rica em textura visual.

As marcas são ásperas, angulares e diretas, o que é típico de técnicas de gravura ou de desenho com materiais como carvão.

Esta aspereza contribui para a expressividade da obra e para a sensação de emoção crua.

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"Maternidade" de Eurico Borges é uma obra poderosa e emotiva que aborda um tema universal com uma intensidade visual notável.

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O estilo de Eurico Borges nesta obra é marcadamente expressionista.

A simplificação das formas, a distorção subtil dos traços faciais da mãe e o uso dramático do contraste tonal servem para comunicar uma emoção profunda em vez de um realismo fotográfico.

As texturas ásperas e as linhas agressivas no fundo amplificam a intensidade emocional, sugerindo talvez as lutas ou desafios inerentes à maternidade, ou a força necessária para a exercer.

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O tema da maternidade é retratado com uma mistura de ternura e força.

A mãe é uma figura de proteção e sacrifício, mas também de uma resiliência notável.

O modo como o filho está aninhado nos braços da mãe transmite uma sensação de segurança e amor incondicional.

A mão do filho, apesar de ser um pequeno detalhe, é um ponto de vulnerabilidade e conexão.

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O uso virtuoso do preto e branco é um dos pontos fortes da obra.

O contraste extremo não é apenas estético, mas também simbólico.

As áreas de branco puro na mãe podem representar pureza, sacrifício ou a luz que a maternidade traz, enquanto o fundo escuro e texturizado pode simbolizar os desafios, a complexidade ou a dimensão primordial da existência.

A alternância entre luz e sombra cria um dinamismo que mantém o olhar do observador em movimento.

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A pintura evoca uma forte resposta emocional.

Transmite uma sensação de intimidade, amor e proteção, mas também uma certa melancolia ou seriedade.

O olhar da mãe é particularmente comovente, sugerindo uma profundidade de sentimentos que transcende a representação literal.

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Sabendo que Eurico Borges nasceu em Chaves, Portugal, e vive atualmente em Havana, Cuba, podemos inferir que a sua arte pode ser influenciada por uma fusão de experiências culturais.

Embora esta obra em particular tenha um caráter universal, a sua expressividade e o uso de técnicas gráficas podem refletir elementos da arte cubana contemporânea ou uma sensibilidade portuguesa para temas humanos profundos.

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Em resumo, "Maternidade" de Eurico Borges é uma obra poderosa e comovente, que utiliza um estilo expressivo e um uso magistral do contraste tonal para explorar a complexidade e a profundidade emocional da relação materno-filial.

É uma pintura que transcende a simples representação, convidando à introspeção sobre um dos laços humanos mais fundamentais.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Eurico Borges

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03
Mar25

"Corpus" - Mário Lino


Mário Silva

"Corpus" 

Mário Lino

03Mar Corpus_Mário Lino

A pintura "Corpus" de Mário Lino é uma obra profundamente simbólica e expressiva, explorando a relação entre o corpo, a identidade e a arte da tatuagem como forma de expressão pessoal e estética.

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A composição apresenta duas figuras femininas interligadas visualmente e emocionalmente.

A mulher à esquerda está de costas, vestindo um tecido leve que revela a sua pele e uma tatuagem de um lírio estilizado, com traços que evocam fluidez e naturalidade.

Já a mulher à direita possui uma postura frontal, com o rosto parcialmente coberto por uma máscara negra adornada com detalhes dourados, o que remete a uma estética misteriosa e teatral.

O seu corpo exibe outra tatuagem, mais abstrata e geométrica, contrastando com a orgânica da primeira figura.

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Os tons predominantes são suaves e terrosos, com um jogo de luz e sombra que realça a plasticidade dos corpos.

O uso do dourado nos padrões dos tecidos adiciona um toque de sofisticação e remete a um elemento de requinte e tradição.

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A obra carrega um forte simbolismo sobre a dualidade da identidade feminina: de um lado, a naturalidade e a fluidez (representadas pela figura da esquerda e sua tatuagem floral); do outro, a sofisticação e a introspeção (simbolizadas pela máscara e pelos arabescos do vestuário).

O olhar encoberto da mulher mascarada sugere mistério, introspeção ou mesmo um jogo de dissimulação.

A relação entre ambas as figuras pode ser interpretada como um diálogo entre a autoimagem e a perceção externa, entre o natural e o construído.

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O tratamento das tatuagens não é apenas decorativo, mas parece sugerir que a pele é uma tela viva, onde a arte e a identidade se manifestam.

Há uma fusão entre corpo e ornamento, sugerindo que a individualidade e a expressão artística são inseparáveis da fisicalidade.

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Mário Lino demonstra grande habilidade técnica ao equilibrar elementos realistas com traços de estilização e simbolismo.

A textura suave da pele contrasta com os detalhes ornamentais do vestuário e tatuagens, criando um efeito visual rico e harmonioso.

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Em conclusão, "Corpus" é uma obra que convida à reflexão sobre o corpo como meio de expressão artística e emocional.

A dualidade entre naturalidade e construção, exposição e ocultação, faz dela uma peça intrigante e carregada de simbolismo.

A estética refinada e o domínio técnico do artista reforçam a sua capacidade de traduzir temas profundos em imagens visualmente impactantes.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Mário Lino

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23
Fev25

"Claustro da Serra do Pilar" (Vila Nova de Gaia-Portugal) - António Carneiro (1872-1930)


Mário Silva

"Claustro da Serra do Pilar"

(Vila Nova de Gaia-Portugal)

António Carneiro (1872-1930)

23Fev Claustro da Serra do Pilar - António Carneiro  (1872-1930)

A pintura "Claustro da Serra do Pilar" de António Carneiro retrata o claustro do Mosteiro da Serra do Pilar, localizado em Vila Nova de Gaia, Portugal.

A obra é notável pelo seu uso da luz e sombra para criar uma sensação de profundidade e volume, bem como pela sua representação detalhada da arquitetura do claustro.

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A pintura de Carneiro é considerada uma obra importante do simbolismo português.

O artista utilizou a sua arte para expressar as suas emoções e ideias sobre a vida e a morte.

A pintura "Claustro da Serra do Pilar" é um exemplo do seu uso do simbolismo para criar uma obra de arte que é ao mesmo tempo bela e significativa.

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A pintura também é notável pela sua técnica.

Carneiro era um mestre da pintura a óleo e usou as suas habilidades para criar uma obra de arte que é ao mesmo tempo realista e expressiva.

A sua técnica permitiu-lhe capturar a beleza natural do claustro, bem como a sua atmosfera de paz e tranquilidade.

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A pintura "Claustro da Serra do Pilar" tem sido interpretada de várias maneiras.

Alguns críticos de arte acreditam que a pintura é uma representação da natureza humana, enquanto outros a veem como uma reflexão sobre a vida e a morte.

Outros ainda acreditam que a pintura é simplesmente uma bela representação de um lugar histórico.

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Independentemente da interpretação, a pintura "Claustro da Serra do Pilar" é uma obra de arte poderosa e significativa.

É um testemunho do talento de António Carneiro e da sua capacidade de criar obras de arte que são ao mesmo tempo belas e provocadoras.

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A pintura "Claustro da Serra do Pilar" está atualmente em exibição no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto.

O museu está aberto de terça a domingo, das 10h00 às 18h00.

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António Carneiro é um dos mais importantes pintores portugueses do século XX.

Algumas de suas outras obras notáveis incluem: "A Morte do Poeta"; "O Jardim da Minha Casa"; "A Ribeira de Gaia"

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António Carneiro faleceu em 1930, mas o seu legado vive através das suas pinturas.

Ele é considerado um dos mais importantes pintores simbolistas de Portugal e as suas obras continuam a ser apreciadas por pessoas de todo o mundo.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: António Carneiro

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21
Fev25

"A Velha Casinha" - Alfredo Cabeleira


Mário Silva

"A Velha Casinha"

Alfredo Cabeleira

21Fev A velha casinha_Alfredo Cabeleira

A pintura "A Velha Casinha" de Alfredo Cabeleira é uma obra que respira a alma da ruralidade transmontana, com a capacidade de nos transportar para um universo de memórias e afetos.

Através de uma técnica realista e expressiva, o artista consegue captar a beleza singela de uma construção humilde, carregada de história e significado.

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A pintura retrata uma pequena casa de pedra, com o telhado em ruínas e a vegetação a crescer entre as telhas.

A construção, de aparência simples e desgastada pelo tempo, conserva ainda o charme rústico de outros tempos.

A porta de madeira, entreaberta, convida o observador a desvendar os mistérios do seu interior.

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A luz do sol incide sobre a fachada da casa, realçando a textura da pedra e as cores quentes do telhado.

A vegetação, exuberante e selvagem, emoldura a construção, conferindo-lhe um ar de abandono e de reconquista pela natureza.

O céu azul, com algumas nuvens brancas, contrasta com a rusticidade da casa, criando um jogo de luz e sombra que realça a beleza do conjunto.

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A técnica de Cabeleira combina o realismo na representação da casa com um toque expressivo na pincelada e na utilização da luz.

A casa é retratada com fidelidade, nos seus detalhes e na sua arquitetura tradicional.

No entanto, a pincelada solta e vibrante, bem como a luz que modela a construção, conferem à obra um dinamismo e uma expressividade que transcendem a mera descrição da realidade.

A casa, com o seu aspeto desgastado e o telhado em ruínas, é um símbolo da passagem do tempo e da transformação da paisagem.

A vegetação que cresce entre as telhas e o mato que envolve a construção sugerem um abandono gradual, mas também uma reconquista pela natureza.

A casa parece contar histórias de outros tempos, de famílias que ali viveram e de tradições que se perderam.

A escolha de um tema tão singelo como uma casa de pedra abandonada revela a sensibilidade do artista para a beleza do quotidiano e do comum.

Cabeleira consegue encontrar beleza naquilo que é simples e humilde, mostrando que a arte pode revelar a poesia presente nas coisas mais banais.

A casa de pedra, com o seu telhado de telha e a vegetação característica, é um elemento típico da paisagem rural transmontana.

A pintura evoca a alma da região, com as suas tradições, a sua arquitetura vernacular e a sua ligação à terra.

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A pintura de Cabeleira é importante por diversos motivos.

- A obra resgata a memória de um tempo e de um modo de vida que se estão a perder, homenageando a cultura e as tradições rurais.

- A pintura chama a atenção para a beleza e a importância do património arquitetónico rural, alertando para a necessidade da sua preservação.

- A obra convida o observador a refletir sobre a passagem do tempo, a transformação da paisagem e a relação entre o homem e a natureza.

- A pintura demonstra o talento de Alfredo Cabeleira, um artista capaz de captar a beleza do simples e de expressar a alma da sua região através da sua arte.

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Em resumo, "A Velha Casinha" é uma pintura que nos toca pela sua sensibilidade, pela sua beleza e pela sua capacidade de evocar memórias e sentimentos.

A obra de Alfredo Cabeleira é um testemunho da sua paixão pela ruralidade transmontana e um contributo valioso para a arte portuguesa contemporânea.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Alfredo Cabeleira

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27
Jul24

"O Aconchego" -  Luiz Nogueira


Mário Silva

"O Aconchego"

Luiz Nogueira

Jul27 O aconchego - Luiz Nogueira

A obra "O Aconchego" de Luiz Nogueira apresenta uma cena marcante e expressiva.

No centro da composição, vemos uma figura feminina envolta num manto vermelho, que se destaca contra um fundo escuro.

A mulher possui uma expressão serena, mas ao mesmo tempo parece estar num momento de movimento ou resistência, como indicado pelo seu corpo estendido e as mãos que a seguram.

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Ela segura um ramo de folhas douradas, que contrasta com o resto da paleta de cores da obra, adicionando um elemento de destaque e possível simbolismo.

As mãos que a seguram são robustas, sugerindo um toque protetor ou possessivo, criando uma dinâmica de tensão e conforto, refletida no título da obra.

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A obra utiliza uma paleta de cores rica e contrastante.

O vermelho vibrante do manto e o dourado das folhas contrastam fortemente com o fundo escuro, criando um foco visual na figura central.

A figura feminina está posicionada de forma a ocupar a maior parte da tela, atraindo imediatamente a atenção do observador.

As mãos que a seguram adicionam uma sensação de profundidade e tridimensionalidade à obra.

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As folhas podem simbolizar uma variedade de conceitos, desde riqueza e prosperidade até transformação e renascimento, dependendo do contexto interpretativo.

O vermelho frequentemente simboliza paixão, poder e proteção, que pode sugerir a intensidade emocional da cena representada.

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A obra exibe um estilo realista com detalhes precisos nas mãos, na textura da pele e nos traços faciais da figura feminina.

A expressão da figura e a tensão das mãos que a seguram comunicam uma narrativa implícita, deixando ao observador a interpretação dos sentimentos e da história por trás da cena.

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A pose e o tratamento da figura lembram obras clássicas e renascentistas, onde a figura humana é central e cheia de simbolismo.

A obra parece estar a comentar sobre temas universais como a proteção, a posse e a relação entre seres humanos, sendo esses temas comuns na arte através dos séculos.

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"O Aconchego" de Luiz Nogueira é uma obra rica em simbolismo e emocionalidade, utilizando uma combinação de técnica realista e elementos simbólicos para criar uma narrativa visual poderosa.

A tensão entre as mãos que seguram a figura e a serenidade da sua expressão cria uma dinâmica que convida o observador a explorar múltiplas interpretações, tornando a obra tanto visualmente atraente quanto intelectualmente estimulante.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Luiz Nogueira

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