A pintura "As Três Abóboras", de Eduardo Afonso Viana, é uma obra marcante do modernismo português.
A tela apresenta uma composição vibrante e expressiva, com formas geométricas e cores intensas que se entrelaçam, criando um efeito visual impactante.
O protagonista da obra é um camponês que carrega uma abóbora de grandes dimensões sobre a cabeça, enquanto outras duas abóboras repousam à sua frente.
O fundo da pintura é composto por uma paisagem rural simplificada, com casas e árvores estilizadas.
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A obra de Viana revela uma forte influência do cubismo, movimento artístico que se caracterizava pela fragmentação das formas e pela utilização de planos geométricos.
A figura do camponês e as abóboras são decompostas em facetas, criando uma sensação de volume e profundidade.
As cores, vibrantes e contrastantes, contribuem para a sensação de movimento e dinamismo da composição.
As abóboras, além de serem elementos visuais marcantes, carregam um simbolismo rico.
Elas podem ser interpretadas como representações da fecundidade, da terra e da vida rural.
A figura do camponês, por sua vez, simboliza a força do trabalho e a resistência do homem diante das adversidades da natureza.
A pintura de Viana é uma síntese entre a tradição e a modernidade.
O artista utiliza elementos da pintura popular portuguesa, como a representação de figuras campesinas e a utilização de cores vibrantes, mas os reinterpreta à luz das novas tendências artísticas do início do século XX.
A obra de Viana transcende a mera representação da realidade, buscando transmitir uma emoção e uma experiência estética.
As cores vibrantes, as formas geométricas e a expressividade da figura central convidam o observador a uma imersão profunda na obra.
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Como conclusão, "As Três Abóboras" é uma obra-prima do modernismo português que revela a originalidade e a força expressiva de Eduardo Afonso Viana.
A pintura, ao mesmo tempo tradicional e inovadora, celebra a cultura rural portuguesa e a beleza da forma.
A obra de Viana continua a fascinar e a inspirar artistas e críticos de arte até os dias de hoje.
Mário Augusto dos Santos nasceu a 23 de julho de 1895, em Alhadas, onde passou a infância e parte da juventude, conciliando a ajuda ao pai, nos trabalhos de carpintaria, com o gosto pelo desenho, vocação que se manifesta precocemente e que acabará por se transformar em paixão e sonho de vida.
O seu perfil empreendedor leva-o a querer transformar os sonhos em realidade. O risco não o impediu de rumar a Lisboa com apenas 16 anos e de procurar oportunidades para desenvolver competências e novas aprendizagens na pintura. Sem nunca perder de vista o rumo que traçou, não se poupa a esforços. Trabalha de dia numa oficina de carpintaria e estuda de noite, na Escola Industrial Machado de Castro, pois não se conhecem empreendedores sem dor.
Os seus dotes de artista não passaram despercebidos e muitos acreditaram e investiram no seu projeto de vida: por um lado, o artista António Conceição Silva (1869-1958) que se disponibilizou para o orientar, dando-lhe lições de desenho e pintura que o capacitaram para ingressar na Escola de Belas Artes, em Lisboa. Por outro lado, o benemérito Nicolau Santos Pinto que lhe concedeu, durante algum tempo uma pensão e que lhe proporcionou uma viagem a Madrid, onde permaneceu quatro meses, o que lhe permitiu visitar museus e copiar obras de grandes mestres, dos quais elegeu Velasquez como seu maior ídolo.
De regresso a Portugal, ingressou, no ano letivo 1916/17, na Escola de Belas Artes do Porto, onde concluiu o Curso Geral de Belas Artes. Retornou à capital e, graças à influência de Conceição Silva, é nomeado Mestre Provisório de Trabalhos Manuais da Escola Industrial Rodrigues Sampaio, transferindo-se depois para a Escola Fonseca Benevides, como Mestre de Pintura Decorativa, terminando a carreira na Escola António Arroio, onde lhe foi atribuída a categoria de Mestre Efetivo da Oficina de Pintura de Lisos e Fundos. Paralelamente, dava aulas particulares de pintura e o seu nome fazia parte dos registos dos professores de pintura dos cursos da Sociedade Nacional de Belas Artes.
Ao longo do seu percurso de vida, Mário Augusto conciliou a atividade profissional com a carreira artística. Desenvolveu as suas próprias técnicas, destacando-se no meio artístico graças à harmonia de cores e à delicadeza de estilo, apostando sempre na aprendizagem e na excelência.
O reconhecimento pelo mérito da sua obra expressa-se nos prémios que foi recebendo, confirmando deste modo o valor das suas inegáveis qualidades como pintor.
Mário Augusto dos Santos acaba por falecer a 18 de agosto de 1941, tuberculoso.
Não tardariam a manifestar-se, um pouco por todo o país, homenagens com o intuito de recordar, com emoção, a sua obra.