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Pintura - Escolhas de Mário Silva

Pintura - Escolhas de Mário Silva

05
Jul24

"Dois Limões em Férias" (1983) - António Dacosta


Mário Silva

"Dois Limões em Férias" (1983)

António Dacosta

Jul03 Dois limões em férias-1983_António Dacosta

"Dois Limões em Férias" é uma obra de 1983 do pintor português António Dacosta, um dos mais importantes artistas do modernismo português.

A pintura, feita em óleo sobre tela, apresenta dois limões colocados sobre uma superfície plana, aparentemente uma mesa, contra um fundo simplificado.

A simplicidade dos elementos é contrastada pela riqueza de cores e pela textura cuidadosa que Dacosta aplica aos limões e ao fundo.

Os limões, com sua cor amarela vibrante, destacam-se no centro da composição.

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A escolha dos limões como tema central pode parecer mundana à primeira vista, mas Dacosta retrata-os com uma atenção aos detalhes e uma sensibilidade que transforma o ordinário em algo digno de contemplação.

A superfície dos limões, com suas imperfeições naturais, é tratada com uma meticulosidade que sugere um respeito quase reverencial pela natureza morta.

O fundo é abstrato, com pinceladas largas e uma paleta de cores suaves, criando um contraste que faz com que os limões se destaquem ainda mais.

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A obra de António Dacosta caracteriza-se por uma mescla de simplicidade e profundidade, e "Dois Limões em Férias" não é exceção.

Esta pintura encapsula várias das características distintivas do artista, ao mesmo tempo em que oferece uma janela para o seu mundo interior e a sua filosofia artística.

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A escolha de um motivo tão simples como dois limões pode ser vista como um exercício de minimalismo e essencialismo.

Dacosta remove todos os elementos desnecessários da composição, focando apenas no essencial.

Esta abordagem minimalista força o observador a reconsiderar a beleza e a importância dos objetos cotidianos.

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A utilização de cores vivas e texturas detalhadas nos limões é uma demonstração da habilidade técnica de Dacosta.

A vivacidade dos limões contrasta fortemente com o fundo neutro, criando um efeito visual que capta imediatamente a atenção do observador.

As texturas cuidadosamente pintadas sugerem não apenas a forma física dos limões, mas também a sua essência tátil.

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O título "Dois Limões em Férias" adiciona uma camada de interpretação à obra.

A ideia de limões em férias pode ser vista como uma metáfora para a pausa, o descanso e a introspeção.

Num mundo que frequentemente glorifica a complexidade e a atividade constante, Dacosta lembra-nos da beleza e da importância do descanso e da simplicidade.

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Dacosta foi fortemente influenciado pelos movimentos modernistas, e isso é evidente na sua abordagem estilística.

A pintura exibe um claro entendimento das lições do cubismo e do surrealismo, utilizando a simplificação de formas e a manipulação do espaço e da cor para criar um impacto emocional e intelectual.

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Criada em 1983, a pintura também pode ser entendida no contexto do ressurgimento do interesse por artistas modernistas em Portugal durante o final do século XX.

Dacosta, que teve um papel fundamental no desenvolvimento da arte moderna portuguesa, continuava a explorar novas maneiras de expressão artística mesmo décadas após o início de sua carreira.

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"Dois Limões em Férias" é uma obra que, à primeira vista, pode parecer simples, mas que revela camadas de significado e complexidade ao ser analisada mais profundamente.

António Dacosta utiliza um tema cotidiano para explorar questões de simplicidade, descanso e a beleza intrínseca dos objetos comuns.

Através da sua habilidade técnica e a sua sensibilidade artística, Dacosta transforma os limões em símbolos de um mundo mais contemplativo e essencial.

A pintura serve como um testemunho da capacidade do artista de encontrar o extraordinário no ordinário, e de comunicar isso de maneira poderosa e acessível.

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Texto: ©MárioSilva

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Pintura: António Dacosta

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24
Set23

"Meninos na Praia", 1983 - Adelino Angelo


Mário Silva

Meninos na Praia, 1983

Adelino Angelo

S24 Meninos na Praia, 1983 - Adelino Angelo

Adelino Ângelo

Nasci a 8 de novembro de 1931 no Solar de Lamas em Vieira do Minho, residência dos meus pais.

Passados dias, fui viver com os meus avós em Guimarães pelo motivo do meu pai ser Juiz e Conservador do Registo Predial, que não o permitia ter residência permanente.

Estudei desde a Escola Primária até ao sétimo ano (décimo segundo actual) em Guimarães; como os meus pais não queriam que eu seguisse as Artes, aos 17 anos fui para Lisboa e como era excelente a desenho, conseguia vender todos os trabalhos que fazia e com o dinheiro obtido, paguei os meus estudos na Escola Superior de Belas Artes em Lisboa, a alimentação e a estadia na Pensão do Chiado.

De 1957 a 1961, fui Designer para várias empresas de estamparia no sector das sedas para alta-costura.

De 1961 a 1974, fui convidado para Professor na Escola Comercial e Industrial Francisco de Holanda em Guimarães. Fui o único Professor em Portugal que enriqueceu o património de uma escola, com painéis dos Reis e Personagens do Estado, para imbuir no espírito dos alunos, o interesse pela Cultura. Estas obras foram pintadas gratuitamente a pedido do Director, visto que mais nenhum dos meus colegas o fez, dizendo que não sabiam fazer mãos e caras, assim como a interpretação da anatomia psicológica.

De 1974 a 1980 fui forçado a refugiar-me em Espanha, porque em 1974 fui agredido e insultado por alguns colegas, pelo facto de ter pintado o Professor Dr. António Oliveira Salazar e os membros do governo da altura.

Toda a minha obra é vincada pela fusão da emoção, realização, originalidade e sentido de criação, tornando-se desta forma num ambiente amargo, mas ao mesmo tempo atento para os olhos de quem a contempla.

Na opinião de vários críticos de arte portugueses e estrangeiros (César Príncipe, Sérgio Mourão, José Gomes Ferreira, Francisco Pablos, José Alvarez, Pierre Lazareff, Guido Arturo Palomba, etc...), sou considerado o maior intérprete da Vida Cigana, opiniões estas inscritas em vários livros em Portugal e no Estrangeiro. Esta opinião também é partilhada por diversos colecionadores.

A minha pintura é a consciência sentida a meu modo, daí que sou o protagonista de uma obra dramática, por ser o criador.

O desenho é considerado a trave mestra da pintura, por isso minha obra é didática, pedagógica e científica, porque se assim não fosse, nunca poderia ter sido ser o Pintor "Universal".

Mediante esta pequena descrição sobre as minhas telas, o que é mais importante é conduzir a sociedade à sua purificação, onde existem enormes desigualdades e fraturas sociais.

Se continuo a pintar a dor do ser humano, loucura e os nómadas, então a minha pintura encaixa em pleno no “modernismo”, não fossem estas as características mais vincadas da sociedade onde me insiro.

Usando palavras de meus críticos, comprovam que sou um psicanalista universal, enquanto o seu humano existir, a minha obra está sempre atualizada.

Salientando a pobreza social tomei a opção de pintar os “Cristos”, figuras humanas que fazem da rua os seus leitos, camas agrestes que o tempo faz doer.

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