"Colegiada de Guimarães" - Augusto Roquemont (1804-1852)
Mário Silva
"Colegiada de Guimarães"
Augusto Roquemont (1804-1852)

Esta obra de Augusto Roquemont, intitulada "Colegiada de Guimarães" (também conhecida por representar a Igreja de Nossa Senhora da Oliveira), é uma peça fundamental do romantismo em Portugal.
Roquemont, um pintor de origem suíça que se naturalizou português e viveu grande parte da sua vida no Minho, captou aqui a essência histórica e social de Guimarães.
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A obra apresenta uma vista detalhada da Praça da Oliveira, focando-se na arquitetura monumental da Colegiada e no seu célebre Padrão do Salado.
Arquitetura: À esquerda, destaca-se a imponente fachada gótica da Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, com o seu portal de arquivoltas profundas e a torre sineira lateral.
No centro, o Padrão do Salado (monumento gótico que comemora a vitória na Batalha do Salado em 1340) surge com os seus arcos ogivais e cobertura em abóbada, projetando uma sombra marcada no solo.
Vida Quotidiana: O largo está animado por figuras populares que conferem escala e humanidade ao cenário.
Vemos mulheres em trajes tradicionais (algumas sentadas, outras transportando cântaros), crianças, um homem que caminha com um cesto e alguns animais (patos) em primeiro plano.
Luz e Cor: Roquemont utiliza uma luz lateral suave, típica do final da tarde ou início da manhã, que realça a textura da pedra de granito.
A paleta é dominada por tons terra, castanhos e ocres, contrastando com o azul pálido e nublado do céu.
Perspetiva: A composição utiliza uma perspetiva rigorosa que guia o olhar desde o canto inferior esquerdo para a profundidade da praça, onde se vislumbram outras casas de arquitetura civil típica.
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O Olhar Romântico e Etnográfico
Augusto Roquemont foi um dos primeiros pintores em Portugal a dedicar-se à pintura de género com um rigor quase etnográfico.
Nesta obra, ele não se limita a registar o monumento; ele documenta o "pulso" da cidade.
O contraste entre a perenidade da pedra gótica e a efemeridade das figuras populares é um tema recorrente do Romantismo.
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A Valorização do Património
Ao pintar a Colegiada de Guimarães, Roquemont participa no movimento de valorização das raízes nacionais portuguesas.
Guimarães, como "Berço da Nação", era um tema privilegiado.
O detalhe com que trata o Padrão do Salado e a fachada da igreja demonstra um profundo respeito pela história arquitetónica do país.
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Técnica e Estilo
Diferente da técnica de impasto vibrante que vimos noutras obras contemporâneas (como as de Mário Silva), Roquemont utiliza uma pincelada mais controlada e descritiva, herdada da sua formação europeia clássica.
No entanto, a forma como trata as sombras e a atmosfera nublada revela a influência romântica, onde o cenário serve para evocar um sentimento de nostalgia e orgulho histórico.
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Importância Documental
Além do valor artístico, esta pintura funciona como um documento histórico.
Ela mostra-nos como era a Praça da Oliveira e a vida social em Guimarães em meados do século XIX, antes das grandes transformações urbanas modernas, preservando a imagem da convivência entre o povo e os seus monumentos mais sagrados.
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Texto: ©MárioSilva
Pintura: Augusto Roquemont
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