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Pintura - Escolhas de Mário Silva

Pintura - Escolhas de Mário Silva

21
Jan26

"Cheias do Douro" - Armando Aguiar


Mário Silva

"Cheias do Douro"

Armando Aguiar

Ribeira do Porto - Armando Aguiar.jpg

Esta é uma obra que retrata a icónica Ribeira do Porto, um dos locais mais emblemáticos da cidade do Porto, Portugal.

A pintura captura a essência histórica e cultural deste bairro tradicional à beira do Rio Douro.

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Arquitetura

Edifícios históricos com fachadas características do Porto, apresentando cores quentes (ocres, amarelos, tons de terra)

Estruturas de pedra que revelam a idade e o caráter autêntico da região.

Escadas de acesso que descem até ao rio, elemento típico da Ribeira.

Janelas e portas que sugerem a vida quotidiana dos habitantes.

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Elementos Aquáticos

O Rio Douro em primeiro plano, com reflexos que indicam movimento e vida.

Pequenas embarcações (barcos tradicionais) ancoradas junto às margens.

A água apresenta tons azulados e verdes, contrastando com a arquitetura.

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Figura Humana e Vida

Presença de pessoas nas escadas e junto ao rio, humanizando a cena.

Roupas coloridas (destaque para o vermelho) que adicionam vitalidade à composição.

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Técnica e Estilo

Técnica Pictórica

Uso de aquarela ou técnica mista que permite transparências e fluidez.

Pinceladas soltas mas controladas, criando textura e movimento.

Luz natural bem trabalhada, com sombras que definem profundidade.

Paleta de Cores

Tons quentes dominantes (ocres, amarelos, laranjas).

Azuis e verdes para a água, criando contraste cromático.

Vermelhos pontuais que atraem o olhar.

Cinzentos e castanhos para as estruturas de pedra.

Perspectiva

Composição em profundidade, com primeiro plano (rio), plano médio (escadas e pessoas) e fundo (edifícios).

Ponto de vista ligeiramente elevado, permitindo ver tanto a arquitetura como a atividade ribeirinha.

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Significado e Contexto

Importância Cultural

A Ribeira é Património da Humanidade (UNESCO) e símbolo do Porto histórico.

Representa a vida tradicional portuguesa, a conexão com o rio e o comércio histórico.

Retrata um modo de vida que persiste há séculos.

Atmosfera:

Sensação de autenticidade e tradição.

Dinamismo da vida quotidiana junto ao rio.

Nostalgia e preservação da memória histórica.

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Pintor português conhecido por suas representações de paisagens e cenas urbanas.

Especialista em capturar a luz e a atmosfera dos locais portugueses.

Trabalho que valoriza o património cultural português.

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Impacto Artístico

Esta obra é um exemplo notável de como a pintura pode documentar e celebrar simultaneamente:

A beleza arquitetónica de um local histórico.

A vida quotidiana e as pessoas que habitam esses espaços.

A relação entre o homem, a arquitetura e a natureza (rio).

A preservação da memória cultural através da arte.

A pintura convida o observador a uma viagem sensorial pela Ribeira, permitindo apreciar tanto os detalhes arquitetónicos como a atmosfera viva e dinâmica do lugar.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Armando Aguiar

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20
Jan26

AVISO


Mário Silva

AVISO

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A plataforma SAPO vai encerrar, como tal, as minhas publicações, continuarão, mas agora no BLOGGER, com os segintes NOVOS endereços:

 

Fotografia & Escrita   https://mariosilvafotografia.blogspot.com

Pinturas                       https://mariosilva-pinturas.blogspot.com

Pinturas (IA)                https://mariosilva-pinturas-ai.blogspot.com

 

Obrigado a todos os que me visitaram.

Continuem a visitar-me.

 

Um grande abraço a todos.

 

Mário Silva

19
Jan26

"Vista de rio com azenha" - Manuel Ferreira (1927-2017)


Mário Silva

"Vista de rio com azenha"

Manuel Ferreira (1927-2017)

19Jan Vista de rio com azenha - Manuel Ferreira (1

Esta pintura a óleo de Manuel Ferreira é uma obra que celebra a serenidade da paisagem rural portuguesa e a mestria da luz natural.

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A composição é dominada por uma majestosa árvore no primeiro plano à esquerda, cujas folhas ostentam tons vibrantes de amarelo, ocre e dourado, sugerindo a estação do outono.

No centro da tela, em plano médio, encontra-se uma azenha (moinho de água) tradicional, com as suas paredes de tom terroso e telhados de telha cerâmica, perfeitamente integrada na vegetação densa que a rodeia.

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O rio, de águas calmas e límpidas, ocupa a parte inferior da pintura, servindo de espelho para a vegetação e para os edifícios.

Ao fundo, a paisagem eleva-se em montanhas suaves de tons azulados e esverdeados, que se fundem com um céu pálido e nublado, conferindo profundidade e uma sensação de infinitude à cena.

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Cor e Luz

A paleta de Manuel Ferreira nesta obra é rica e equilibrada.

Existe um contraste fascinante entre as cores quentes (os amarelos e laranjas da árvore principal) e as cores frias (o azul do céu, da água e das montanhas ao fundo).

A luz parece ser a de um final de tarde, filtrada pelas nuvens, o que suaviza as sombras e banha a azenha numa claridade morna e nostálgica.

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Técnica e Pincelada

O estilo de Ferreira aproxima-se de um naturalismo com influências impressionistas.

As pinceladas são visíveis, texturadas e dinâmicas — repare-se como a folhagem da árvore não é definida folha a folha, mas sim através de manchas de cor que, em conjunto, criam uma ilusão de volume e movimento ao vento.

O reflexo na água é trabalhado com pinceladas horizontais suaves, transmitindo a ideia de uma superfície líquida em repouso.

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Composição

A árvore à esquerda funciona como um "repouso visual" e um elemento de enquadramento, empurrando o olhar do observador para o centro da tela, onde reside a azenha.

Esta estrutura clássica cria um equilíbrio perfeito, onde a natureza (a árvore e o rio) abraça a construção humana (o moinho).

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Significado e Contexto

Manuel Ferreira foi um pintor que soube captar a essência do "Portugal profundo".

Esta pintura é um testemunho de uma época em que a vida rural e as estruturas como as azenhas eram centrais na economia e na paisagem das aldeias.

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A obra evoca um sentimento de paz e continuidade.

A azenha, embora seja uma estrutura funcional, é aqui tratada como uma joia arquitetónica, um símbolo de harmonia entre o homem e o ecossistema.

É uma "pintura de atmosfera" que transporta quem a vê para a beira daquelas águas, permitindo quase ouvir o som do rio e o farfalhar das folhas secas.

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"A obra de Manuel Ferreira é um diálogo constante entre a terra e a luz, onde cada pincelada guarda o silêncio de uma paisagem que o tempo insiste em preservar."

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Manuel Ferreira

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17
Jan26

"Paisagem com neve" - Mendes Da Costa (1848–1921)


Mário Silva

"Paisagem com neve"

Mendes Da Costa (1848–1921)

17Jan Paisagem com neve - Mendes Da Costa Belmiro.

António Mendes da Costa pertenceu à geração que revolucionou a pintura portuguesa no final do século XIX.

Influenciado pela Escola de Barbizon e pelo "plein air" (pintura ao ar livre), ele procurava captar a realidade imediata, longe dos temas históricos grandiosos do Romantismo.

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A neve é um tema raro na pintura portuguesa dessa época, dada a geografia do país, o que torna esta obra um exercício técnico e atmosférico particularmente interessante.

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A Composição e o Cenário

A pintura apresenta uma cena rural, possivelmente no interior de Portugal ou num cenário europeu captado durante as suas viagens.

A composição é geralmente estruturada da seguinte forma:

Primeiro Plano: Uma camada espessa e irregular de neve que cobre o solo, onde se percebem sulcos ou pegadas, sugerindo a passagem humana ou animal.

Plano Médio: Árvores de ramos nus e retorcidos, cujas silhuetas escuras contrastam fortemente com a brancura do chão.

Podem surgir pequenas habitações rurais ou muros de pedra, parcialmente soterrados pelo gelo.

Fundo: Um horizonte baixo e um céu carregado, com tons de cinza e azul pálido, indicando que a tempestade passou ou que uma nova queda de neve é iminente.

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A Paleta de Cores

O domínio do branco não é absoluto; Mendes da Costa utiliza uma gama de subtons para dar volume à neve:

Cinzento e Azul: Nas sombras projetadas e nas áreas de neve derretida.

Ocres e Castanhos: Nos troncos das árvores e em zonas onde a terra espreita através do manto branco.

Cinza-chumbo: No céu, criando uma sensação de opressão atmosférica e frio intenso.

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O Uso da Luz

Ao contrário das paisagens solares de Silva Porto (seu contemporâneo), aqui a luz é difusa e fria.

Não há uma fonte de luz direta forte, o que elimina contrastes violentos e mergulha a cena numa quietude melancólica.

A neve atua como um refletor natural, iluminando suavemente a base dos troncos das árvores.

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A Pincelada

Mendes da Costa utiliza uma pincelada texturizada.

Para representar a neve, o artista frequentemente aplica a tinta com maior espessura (empastamento), permitindo que a própria textura da tela ajude a simular a irregularidade do terreno nevado.

As árvores são definidas com traços rápidos e nervosos, conferindo-lhes um aspeto orgânico e frágil perante o inverno.

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Análise Psicológica e Atmosférica

A pintura evoca um profundo sentimento de isolamento e silêncio.

Na tradição do Naturalismo português, a natureza não é apenas um cenário, mas um reflexo de um estado de alma.

O Silêncio: A neve tem a propriedade acústica de abafar sons, e o pintor consegue transmitir essa "surdez" visual através da suavidade das transições cromáticas.

A Melancolia: A ausência de figuras humanas (em muitas versões desta temática) acentua a solidão da paisagem rural, um tema recorrente na arte portuguesa do século XIX que dialoga com o conceito de "saudade".

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"Paisagem com Neve" é um testemunho da versatilidade de Mendes da Costa.

Ele demonstra que o Naturalismo português não se limitava às "leiras" solarengas e aos pastores, mas era capaz de captar a rudeza e a beleza silenciosa das estações mais rigorosas com uma sensibilidade quase poética.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Mendes Da Costa

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15
Jan26

"Colegiada de Guimarães" - Augusto Roquemont (1804-1852)


Mário Silva

"Colegiada de Guimarães"

Augusto Roquemont (1804-1852)

15Jan Colegiada de Guimarães - Augusto Roquemont

Esta obra de Augusto Roquemont, intitulada "Colegiada de Guimarães" (também conhecida por representar a Igreja de Nossa Senhora da Oliveira), é uma peça fundamental do romantismo em Portugal.

Roquemont, um pintor de origem suíça que se naturalizou português e viveu grande parte da sua vida no Minho, captou aqui a essência histórica e social de Guimarães.

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A obra apresenta uma vista detalhada da Praça da Oliveira, focando-se na arquitetura monumental da Colegiada e no seu célebre Padrão do Salado.

Arquitetura: À esquerda, destaca-se a imponente fachada gótica da Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, com o seu portal de arquivoltas profundas e a torre sineira lateral.

No centro, o Padrão do Salado (monumento gótico que comemora a vitória na Batalha do Salado em 1340) surge com os seus arcos ogivais e cobertura em abóbada, projetando uma sombra marcada no solo.

Vida Quotidiana: O largo está animado por figuras populares que conferem escala e humanidade ao cenário.

Vemos mulheres em trajes tradicionais (algumas sentadas, outras transportando cântaros), crianças, um homem que caminha com um cesto e alguns animais (patos) em primeiro plano.

Luz e Cor: Roquemont utiliza uma luz lateral suave, típica do final da tarde ou início da manhã, que realça a textura da pedra de granito.

A paleta é dominada por tons terra, castanhos e ocres, contrastando com o azul pálido e nublado do céu.

Perspetiva: A composição utiliza uma perspetiva rigorosa que guia o olhar desde o canto inferior esquerdo para a profundidade da praça, onde se vislumbram outras casas de arquitetura civil típica.

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O Olhar Romântico e Etnográfico

Augusto Roquemont foi um dos primeiros pintores em Portugal a dedicar-se à pintura de género com um rigor quase etnográfico.

Nesta obra, ele não se limita a registar o monumento; ele documenta o "pulso" da cidade.

O contraste entre a perenidade da pedra gótica e a efemeridade das figuras populares é um tema recorrente do Romantismo.

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A Valorização do Património

Ao pintar a Colegiada de Guimarães, Roquemont participa no movimento de valorização das raízes nacionais portuguesas.

Guimarães, como "Berço da Nação", era um tema privilegiado.

O detalhe com que trata o Padrão do Salado e a fachada da igreja demonstra um profundo respeito pela história arquitetónica do país.

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Técnica e Estilo

Diferente da técnica de impasto vibrante que vimos noutras obras contemporâneas (como as de Mário Silva), Roquemont utiliza uma pincelada mais controlada e descritiva, herdada da sua formação europeia clássica.

No entanto, a forma como trata as sombras e a atmosfera nublada revela a influência romântica, onde o cenário serve para evocar um sentimento de nostalgia e orgulho histórico.

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Importância Documental

Além do valor artístico, esta pintura funciona como um documento histórico.

Ela mostra-nos como era a Praça da Oliveira e a vida social em Guimarães em meados do século XIX, antes das grandes transformações urbanas modernas, preservando a imagem da convivência entre o povo e os seus monumentos mais sagrados.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Augusto Roquemont

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13
Jan26

"Arredores" - Nadir Afonso


Mário Silva

"Arredores"

Nadir Afonso

13Jan Arredores - Nadir Afonso.jpeg

Esta obra de Nadir Afonso, intitulada "Arredores", é uma peça fundamental para compreender a transição estilística e a exploração textural de um dos maiores nomes do modernismo português.

Sendo natural de Chaves (flaviense), Nadir Afonso traz nesta pintura uma visão estrutural e quase geométrica da paisagem.

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A obra retrata um aglomerado de construções rurais, possivelmente inspiradas na paisagem transmontana, tratadas com uma linguagem pictórica que privilegia a forma e a matéria.

Composição: A pintura organiza-se em planos horizontais sobrepostos.

No plano inferior, vemos caminhos e muros que conduzem o olhar para o centro, onde se destaca um conjunto de casas brancas com telhados avermelhados.

À direita, um portão de madeira escura serve de elemento vertical de equilíbrio.

A Paleta de Cores: Nadir utiliza um contraste clássico, mas eficaz: o branco puro das fachadas calcárias choca com o azul profundo e vibrante do céu e os tons de verde e ocre da terra.

O uso do vermelho nos telhados e no portão pontua a obra com focos de calor.

Técnica e Textura: O que mais impressiona nesta fase é o uso do impasto.

A tinta é aplicada de forma generosa, onde a textura da tela e as marcas da espátula ou do pincel são visíveis.

Não há uma preocupação com o detalhe realista, mas sim com a solidez das formas.

Atmosfera: Existe uma sensação de silêncio e imobilidade.

As casas, sem janelas detalhadas ou figuras humanas visíveis, parecem sentinelas geométricas na paisagem.

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A Geometria da Paisagem

O Percurso para o Geometrismo

Nadir Afonso, que foi também arquiteto (tendo trabalhado com Le Corbusier e Oscar Niemeyer), transporta para a tela uma sensibilidade arquitetónica rigorosa.

Em "Arredores", já se percebe a sua obsessão pela ordem e pela estrutura.

Embora ainda ligada à representação figurativa da natureza, a obra antecipa o "Espacialismo" e o geometrismo abstrato que definiriam a sua carreira posterior.

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A Luz de Trás-os-Montes

Sendo um pintor flaviense, Nadir capta a luz crua e direta do interior de Portugal.

O branco das casas não é apenas uma cor, é um refletor de luz que define o volume das construções contra o céu denso.

Esta abordagem da paisagem rural afasta-se do lirismo tradicional para se focar na morfologia do espaço.

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A Estética da Matéria

Ao contrário das suas obras mais tardias, que são conhecidas pela precisão matemática e superfícies lisas, "Arredores" celebra a substância da pintura.

A crueza da pincelada confere à obra uma rusticidade que condiz com o tema — a vida nos arredores, na periferia, onde a construção humana se funde com a terra de forma robusta e persistente.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Nadir Afonso

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11
Jan26

"Adoração dos Magos",1828 - Domingos Sequeira (1768–1837)


Mário Silva

"Adoração dos Magos",1828

Domingos Sequeira (1768–1837)

11Jan Adoração dos Magos -Domingos Sequeira, 182

Esta obra-prima, intitulada "Adoração dos Magos", foi pintada em 1828 por Domingos Sequeira (1768–1837) e é considerada uma das peças mais importantes da arte portuguesa.

Atualmente, integra a coleção do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) em Lisboa, após uma histórica campanha de subscrição pública para a sua aquisição em 2016.

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Contexto Histórico: A Série de Roma

Esta tela faz parte da chamada Série Palmela (ou Série de Roma), um conjunto de quatro grandes pinturas religiosas que Sequeira executou no final da sua vida, enquanto vivia no exílio em Roma.

As outras obras da série são a Descida da Cruz, a Ascensão e o Juízo Final (inacabado).

Esta série representa o "testamento artístico" do pintor, onde ele atinge o auge da sua maturidade técnica e espiritual.

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Descrição

A pintura afasta-se das representações tradicionais e exuberantes do tema bíblico:

O Grupo Central: À direita, encontramos a Virgem Maria segurando o Menino Jesus, acompanhada por São José.

Eles estão envoltos numa luz suave, mas intensa, que parece emanar da própria cena.

Os Magos: Diferente de outras interpretações, Sequeira não utiliza coroas ou símbolos régios ostensivos para identificar os Reis Magos.

Um dos magos ajoelha-se perante o Menino, num gesto de profunda humildade e entrega.

A Multidão: A composição é monumental, integrando cerca de 150 figuras.

Vê-se uma massa humana de pessoas de várias condições e origens, simbolizando a universalidade da mensagem cristã.

O Cenário: O fundo não apresenta uma arquitetura definida, mas sim uma paisagem vaporosa e etérea, dominada por uma grande fonte de luz branca no topo que banha toda a cena.

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A Técnica e Estética

A Luz como Protagonista: A luz não é apenas um elemento físico, mas o elemento estruturante da obra.

Ela cria uma atmosfera de transcendência e misticismo, típica do pré-romantismo, que dissolve as formas sólidas em manchas de cor e luz.

Síntese de Estilos: A obra representa o equilíbrio perfeito entre o Neoclassicismo (pela estrutura compositiva e rigor do desenho preparatório) e o Romantismo (pela carga emocional, o tratamento dramático da luz e a pincelada mais livre e sugestiva).

Modelação das Figuras: Sequeira utiliza uma técnica de modelação prodigiosa, onde as figuras parecem surgir da penumbra através de pequenos toques de luz, conferindo uma sensação de profundidade e movimento à multidão.

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Significado e Importância

A "Adoração dos Magos" é classificada como Tesouro Nacional.

Ela marca o momento em que a arte portuguesa se alinha com as grandes correntes europeias da época (como as de Goya ou Turner), explorando o sublime e a desmaterialização da forma através da luz.

É uma obra de introspeção religiosa que convida o observador a focar-se no essencial: o momento da revelação divina.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Domingos Sequeira

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09
Jan26

"Leitura emocionante" (Spannende Lektüre), 1889 - Carl Zewy


Mário Silva

"Leitura emocionante" (Spannende Lektüre) 1889

Carl Zewy

09Jan Leitura emocionante, 1889 Carl Zewy (1855-19

Esta pintura, intitulada "Leitura emocionante" (originalmente em alemão: Spannende Lektüre), foi realizada em 1889 pelo mestre austríaco Carl Zewy.

Trata-se de um exemplar clássico da pintura de género do século XIX, estilo no qual Zewy se destacou ao retratar a vida quotidiana das classes populares e médias de Viena.

Realismo académico com foco na narrativa doméstica.

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Descrição da Cena

A obra retrata um momento de convívio intergeracional num interior doméstico austríaco típico da época.

Uma mulher idosa (possivelmente a avó), de óculos e touca branca, é o ponto focal da narrativa.

Ela lê atentamente o jornal "Tagblatt" (um diário popular da época), segurando-o com firmeza enquanto apoia a sua bengala no braço da cadeira.

Quatro mulheres jovens rodeiam a mesa, cativadas pela notícia.

À direita, uma jovem em pé sorri abertamente enquanto serve pão ou bolos, sugerindo que a notícia lida é positiva ou curiosa.

As outras três jovens demonstram expressões de curiosidade e atenção profunda, inclinando-se para a frente para ouvir melhor as palavras da anciã.

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A cena ocorre numa cozinha ou sala de jantar rústica, mas acolhedora.

Notam-se detalhes como o grande armário de madeira escura ao fundo, um relógio de mesa, uma gaiola de pássaros à janela e o serviço de chá sobre a mesa.

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Composição: Zewy utiliza uma composição circular e fechada que reforça o sentimento de intimidade e união familiar.

O olhar do observador é guiado das faces iluminadas das jovens para o jornal no centro.

Luz e Cor: A iluminação é proveniente de uma janela à esquerda (não visível diretamente), criando um contraste de luz e sombra (chiaroscuro) que dá volume às figuras e destaca as texturas dos tecidos e dos objetos metálicos.

Realismo Detalhado: O artista demonstra a sua formação técnica (estudou nas Academias de Viena e Munique) através da representação meticulosa das dobras das roupas, das expressões faciais individuais e dos pequenos pormenores do quotidiano, como as plantas no parapeito e a cesta de vime.

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Significado e Importância

Nesta época, as pinturas de Carl Zewy eram extremamente populares por abrirem uma janela para a vida das "pessoas comuns".

Esta obra em particular destaca:

A Importância das Notícias: Numa era sem rádio ou televisão, o jornal era o principal elo de ligação com o mundo exterior.

A leitura em voz alta era uma prática social comum que unia as gerações.

Transmissão de Conhecimento: A posição da idosa como leitora reafirma o seu papel de autoridade e fonte de informação dentro da estrutura familiar tradicional.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Carl Zewy

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07
Jan26

Fado - José Moniz


Mário Silva

Fado

José Moniz

07Jan Fado_José Moniz.jpg

Esta é uma obra vibrante e estilizada de José Moniz, um artista natural de Chaves (flaviense), que utiliza uma linguagem visual contemporânea para interpretar um dos maiores símbolos da cultura portuguesa: o Fado.

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A pintura apresenta uma composição clássica de um conjunto de fado, composta por três figuras centrais:

A Fadista: No centro e ao fundo, ergue-se a figura feminina.

Ela domina a metade superior da tela, vestida com um padrão azul e branco que remete imediatamente à azulejaria portuguesa.

Sobre os ombros, o icónico xaile negro, que se abre quase como uma moldura para os músicos à sua frente.

Os Músicos: Em primeiro plano, dois guitarristas sentados em cadeiras de madeira.

À esquerda, o músico toca a guitarra portuguesa (reconhecível pelo formato em pera).

À direita, o músico toca a viola de fado (guitarra clássica).

O Cenário: O chão apresenta um padrão axadrezado em azul e branco, reforçando a paleta cromática nacionalista, enquanto o fundo é dividido verticalmente entre um azul límpido e um branco acinzentado.

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Geometrização e Influência Cubista

José Moniz utiliza um estilo neofigurativo com forte influência cubista.

As formas são decompostas em planos geométricos e delimitadas por linhas negras espessas e marcantes (uma técnica que lembra o cloisonnismo ou os vitrais).

Os rostos das personagens são divididos por eixos verticais, sugerindo uma dualidade de emoções ou a fragmentação da luz.

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Paleta de Cores

A escolha das cores é simbólica e equilibrada:

Azul e Branco: Evocam a luz de Portugal, o mar e a tradição dos azulejos.

Tons Terrosos e Cinzas: Conferem sobriedade e ligam a obra à terra e à melancolia inerente ao fado.

Vermelho: Utilizado de forma pontual (nos lábios, golas e detalhes das cadeiras) para guiar o olhar e conferir paixão à cena.

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Simbolismo da "Saudade"

Embora as formas sejam rígidas e geométricas, a obra consegue transmitir a atmosfera do fado.

A expressividade dos olhos grandes e fixos das personagens evoca a introspeção e a saudade.

A sobreposição da fadista aos músicos cria uma hierarquia visual onde a voz parece emanar de uma estrutura sólida e ancestral.

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A pintura "Fado" de José Moniz é uma celebração da identidade portuguesa através de uma lente modernista.

O artista consegue retirar o fado do seu ambiente habitualmente escuro e tabernário, transportando-o para uma dimensão de clareza geométrica e luz, sem perder a sua essência emocional.

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Texto: ©MárioSilvajan

Pintura: José Moniz

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